Brasil tem estrutura industrial única na América Latina, aponta economista

Dados da Triplethree International Market Research colocam o país como o segundo maior mercado pet em consumo no mundo.

Iván Franco
Iván Franco
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O Brasil consome mais de 4 milhões de toneladas de pet food por ano. A quantidade é superior à da China e está atrás apenas dos Estados Unidos, o que faz do país o segundo maior mercado do mundo na categoria. O dado foi apresentado durante o Petfood Forum Brasil 2026 por Iván Franco, economista e fundador da Triplethree International Market Research, consultoria especializada em pesquisa de mercado para o setor food, com foco especial em pet food nos últimos 15 anos.

Segundo Franco, um dos fatores por trás da vice-liderança é a infraestrutura da indústria brasileira. “O Brasil é uma ‘powerhouse’ [sic], com plantas (industriais) gigantes. A China ainda está entrando nesse ritmo de crescimento. Não há comparação”, afirmou, citando que o consumo chinês atual está abaixo de 2 milhões de toneladas anuais. Para efeito de comparação, o valor é próximo do cenário mexicano. 

Um mercado pet que não depende de ninguém

Os Estados Unidos consomem cerca de 10 milhões de toneladas de pet food por ano, uma diferença de 6 milhões de toneladas em relação ao Brasil. Ainda assim, o porte da indústria brasileira, segundo Franco, é sustentado por um fator estrutural que a maioria dos concorrentes regionais não tem: acesso próprio a grãos e proteína animal, sem depender de importações. 

Franco avalia que, em comparação com o restante da América Latina, o agronegócio brasileiro permite uma equação de custo e qualidade muito mais vantajosa do que a de países que dependem mais de importações para ingredientes. Além disso, Franco afirma que o mercado brasileiro tem um perfil inovador.  “O Brasil é um mercado muito independente em termos de infraestrutura, desenvolvimento e inovação. O próximo passo é traduzir tudo o que estão inovando aqui para o consumidor”, afirmou. O país tem 2.490 SKUs de pet food registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), segundo dados da Triplethree.  

As exportações, por ora, são modestas: apenas 100 mil toneladas por ano, o mesmo volume exportado pela Argentina. Mas Franco projetou um cenário de expansão para os próximos anos, à medida que países vizinhos, como Paraguai, Uruguai, Bolívia e Peru, ampliam o consumo local sem conseguir acompanhar esse crescimento com infraestrutura industrial própria. 

“Podem estar seguros de que, em cinco anos, as exportações do Brasil vão dobrar, facilmente para 200 mil toneladas, sempre que não haja restrições sanitárias entre países”, disse.

A palestra de Iván Franco fez parte dos seminários Petfood Forum Brasil 2026, realizados no dia 13 de agosto simultaneamente à PET South America, no Distrito Anhembi, em São Paulo.

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