
O tamanho, a raça, a idade e o estado de saúde dos cães influenciam os formatos de alimentação que os tutores escolhem para seus animais de estimação. Em uma análise transversal com mais de 40 mil tutores de cães dos EUA, cientistas da Texas A&M University e da Faculdade de Medicina Veterinária Virginia-Maryland identificaram correlações entre as escolhas alimentares e características biológicas dos cães.
O trabalho, publicado na edição de dezembro de 2024 do Journal of the American Veterinary Medical Association, aponta para a ração seca como a escolha mais comum. Mas certos grupos demonstram preferências por formatos alternativos, que se adequem ao perfil do cão.
Preferência de dieta muda com o tamanho do cão
Os resultados da pesquisa mostram que cães de raças menores tinham significativamente mais chances de consumir alimentos enlatados, liofilizados (desidratados), crus comerciais, parcialmente secos ou preparados em casa.
Por outro lado, quanto maior o porte do cão, mais comum é a alimentação com dietas cruas preparadas em casa, sendo esse o único tipo de dieta que apresentou uma relação direta com o aumento do tamanho do animal.
“Isso pode se dever a razões econômicas, já que é provavelmente mais custoso alimentar um cão grande com comidas enlatadas do que um cão pequeno”, escreveram os pesquisadores. No entanto, o estudo não encontrou associações entre a renda dos tutores e escolha da dieta na comparação entre a alimentação crua caseira e enlatados. “Esse fator parece ser menos relevante na decisão de alimentar com alimentos enlatados”, afirmam.
Outra possível explicação para os perfis de dieta pode ser que problemas de saúde mais comuns em cães pequenos, como doenças periodontais ou urolitíase, levem os tutores a escolher alimentos com maior teor de umidade. Os pesquisadores dizem que estudos adicionais são necessários para esclarecer quais fatores influenciam essa tendência.
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O pedigree importa na escolha da alimentação?
O estudo também encontrou correlações entre o tipo de dieta preferida para tutores de cães de raça pura e de sem raça definida (SRD).
Os de raça pura foram maioria entre os que recebiam dietas cruas, tanto comerciais quanto preparadas em casa. Entre os 2.163 cães que consumiam dietas cruas identificados no estudo, 1.391 eram de raça pura, ou seja, 1,8 vez mais comuns nesse grupo alimentar do que SRD. Em contraste, tutores de cães sem raça demonstram preferência pela alimentação com ração seca.
Cães castrados e não castrados também exibiram tendências alimentares distintas. O primeiro grupo era frequentemente alimentado com ração seca ou enlatados, enquanto o segundo era mais alimentado com dietas cruas.
Tutores de cães idosos preferem dietas de fácil digestão
O estudo também destacou práticas alimentares específicas para cada fase da vida dos cachorros. Filhotes eram majoritariamente alimentados com ração seca (89%), enquanto cães idosos e aqueles com pior estado de saúde tinham maior probabilidade de consumir alimentos enlatados, parcialment secos ou preparados em casa. Essas escolhas podem refletir a necessidade de texturas mais macias ou de alimentos mais fáceis de digerir à medida que os cães envelhecem ou enfrentam desafios de saúde.
Os níveis de atividade também influenciaram as escolhas alimentares. Cães ativos consumiam dietas cruas preparadas em casa com maior frequência, enquanto os sedentários tendiam a consumir alimentos enlatados ou preparados em casa.
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Padrões de alimentação orientados por função também surgiram como uma tendência importante. Cachorros usados principalmente para agilidade ou reprodução tinham mais probabilidade de consumir dietas cruas (15%) tanto para cruas comerciais quanto caseiras). Já os de trabalho eram mais alimentados com dietas cruas caseiras (6%), enquanto os de assistência tendiam a consumir dietas cruas comerciais (8%). No entanto, a ração seca continuou sendo a dieta mais comum em todas as finalidades.
A análise também revelou informações sobre tendências alimentares secundárias. Dietas orgânicas foram mais comumente relatadas em dietas liofilizadas, cruas (tanto comerciais quanto caseiras), preparadas em casa e parcialmente secas. Enquanto isso, dietas sem grãos eram mais prevalentes entre as opções liofilizadas, cruas e preparadas em casa, em comparação com variedades de ração seca ou alimentos enlatados.
Implicações para a indústria de pet food
Diversos fatores influenciam as escolhas alimentares dos tutores de cães e representam uma oportunidade para fabricantes de pet food atenderem a nichos de mercado. A correlação entre cães menores e dietas alternativas, como produtos liofilizados ou enlatados, pode sugerir potencial de crescimento nesses segmentos. Da mesma forma, a preferência por dietas cruas entre cães de raça pura, não castrados e ativos destaca um mercado para formulações voltadas a tutores com foco em desempenho.


















