
A empresa de biotecnologia finlandesa Enifer e a produtora brasileira de etanol FS firmaram uma parceria para produzir, no Brasil, as micoproteínas (proteína derivadas de fungos) PEKILOPet e PEKILOAqua a partir de subprodutos do milho usado para a produção de etanol.
Esta proteína alternativa é derivada de fungos cultivados por fermentação submersa (feita em meio líquido, sob condições controladas de pH, temperatura e oxigenação) a partir de resíduos agroindustriais. Nesse caso, a partir de partes do milho que não são transformadas em etanol, como solúveis do grão, restos de amido, açúcares residuais e minerais.
Após o cultivo, a biomassa é separada da parte líquida, tratada termicamente e transformada em pó neutro, rico em proteínas e fibras. Em pet food, as micoproteínas são apresentadas como ingredientes “drop-in”, ou seja, podem substituir total ou parcialmente proteínas convencionais em rações para cães, gatos, peixes e camarões, sem afetar o sabor ou a textura final do produto.
“Transferir esse processo através do Atlântico para um novo continente e utilizar uma nova fonte agrícola de subprodutos representa uma validação significativa da flexibilidade e robustez da tecnologia de fermentação PEKILO. Isso mostra que ela pode oferecer consistência a partir de uma ampla variedade de matérias-primas e em contextos industriais muito distintos”, afirmou Simo Ellilä, CEO e cofundador da Enifer.
O projeto-piloto, que será implementado em uma unidade da FS, deve produzir 500 toneladas de micoproteína por ano e será a primeira aplicação do processo PEKILO fora da Europa.
“Isso reforça nosso compromisso com a inovação, a ciência e a sustentabilidade. Estamos agregando valor ao milho de segunda safra ao desenvolver uma solução relevante e inovadora para a nutrição animal, utilizando uma matéria-prima já existente e sem comprometer a produção de grãos secos de destilaria”, declarou Rafael Abud, CEO da FS.
Com um aporte de R$ 9,8 milhões (US$ 1,8 milhão) em recursos públicos da agência de inovação FINEP, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a FS vai implementar a planta piloto e se preparar para uma possível ampliação da produção em escala industrial.
“Com esse financiamento, avançaremos em etapas-chave relacionadas à fermentação fúngica, o que nos permitirá caminhar rumo à produção industrial. “Agora, vamos implementar nossa planta piloto, aprender a escalar sua operação e testar o mercado com soluções funcionais de alto desempenho para a nutrição animal”, afirmou Daniel Lopes, vice-presidente de sustentabilidade e desenvolvimento de negócios da FS.
Os planos para uma futura planta industrial incluem uma capacidade de produção de 10 mil toneladas por ano. A micoproteína será comercializada no Brasil e exportada para mercados estratégicos de aquicultura, como Equador e Chile.
















