Relatório refuta a narrativa de projetos-piloto de IA estagnados em nutrição animal

Estudo conjunto entre Datacor e Tech-Clarity mostra que as empresas de pet food estão acelerando o uso de  na formulação de receitas e em atividades laboratoriais, com a maioria dos projetos-piloto concluídos gerando valor em até um ano

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Lisa Cleaver | Imagem gerada com ferramentas de IA

Resumo: 

  • 95% das empresas que concluíram projetos-piloto de IA obtiveram ganhos mensuráveis em até um ano, sendo que quase metade alcançou resultados em apenas um trimestre.
  • 58% das empresas pesquisadas têm pelo menos um projeto-piloto ou prova de conceito em andamento, enquanto 31% já concluíram pelo menos uma iniciativa.
  • Os principais casos de uso da IA incluem a formulação de receitas conforme especificações (prioridade para mais de 50% das empresas) e a análise de amostras em laboratório (47% dos entrevistados).
  • As maiores barreiras são lacunas de conhecimento: 55% apontaram a falta de competências em ciência de dados e 49% citaram a falta de conhecimento sobre IA como os principais desafios.
  • 66% das empresas recorrem aos fornecedores de software que já utilizam, enquanto 38% trabalham com consultorias para superar os desafios de implementação.

A adoção de inteligência artificial (IA) na indústria de nutrição animal está avançando mais rápido do que se imaginava. Segundo o novo relatório The State of AI in the Food & Animal Nutrition Industries, quase dois terços das empresas já conduzem projetos-piloto de IA e 9 em cada 10 das que concluíram essas iniciativas obtiveram resultados mensuráveis em até um ano.

O levantamento foi baseado em uma pesquisa com mais de 250 empresas com faturamento inferior a US$ 300 milhões (R$ 1,53 bilhão), complementada por uma análise específica de 113 (29%) empresas dos segmentos de alimentos e nutrição animal.

Formulação e laboratório lideram projetos de IA

Mais da metade das empresas entrevistadas (60%) afirmou querer utilizar IA para formular receitas de acordo com especificações pré-definidas. Entre os outros objetivos mais citados estão a identificação de formulações que possam ser reaproveitadas e a otimização de receitas diante da variação na disponibilidade ou nas características dos ingredientes.

O relatório destaca que fabricantes de alimentos para pets enfrentam exigências específicas relacionadas ao cumprimento de requisitos nutricionais. Os participantes da pesquisa apontaram a necessidade de validar com mais rapidez substituições de ingredientes, sem comprometer atributos como sabor e textura.

Nos laboratórios, 47% dos entrevistados disseram desejar utilizar IA para apoiar a análise de amostras. Segundo o estudo, essa demanda está relacionada à redução da oferta de profissionais qualificados para atuar no controle de qualidade.

Projetos-piloto geram resultados rapidamente

Entre as empresas que concluíram pelo menos um projeto-piloto ou prova de conceito de IA, 95% relataram ter obtido ganhos em até um ano. Quase metade (45%) afirmou que os benefícios apareceram já no primeiro trimestre após a implementação.

Ainda assim, 20% das empresas que finalizaram um projeto-piloto disseram que ainda não conseguiram gerar valor com a iniciativa.

O estudo também revela que 58% das empresas possuem pelo menos um projeto-piloto ou prova de conceito em andamento, enquanto 31% já concluíram ao menos uma iniciativa. No entanto, apenas um grupo menor, equivalente a 5% dos participantes, alcançou o que o relatório classifica como progresso significativo, obtendo resultados mensuráveis em larga escala.

Falta de conhecimento supera desconfiança como principal obstáculo

Ao contrário do que costuma ser apontado, o estudo conclui que o receio em relação à IA ou o medo de substituição de empregos não são os principais fatores que dificultam sua adoção. Apenas cerca de um terço das empresas mencionou esses aspectos como barreiras.

Os desafios mais relevantes são a escassez de profissionais com conhecimento em ciência de dados (55%), a falta de conhecimento sobre IA (49%) e a falta de tempo para dedicar às iniciativas de inteligência artificial (49%).

Menos de um terço das empresas relatou ausência de apoio da alta liderança, indicando que o comprometimento dos executivos com projetos de IA existe, embora a preparação das equipes ainda esteja aquém do necessário.

As empresas também destacaram a cautela necessária em decisões críticas à segurança como fator que limita a adoção da tecnologia. "Há riscos quando a IA toma decisões sem envolvimento humano”, afirmou um dos entrevistados, identificado como líder de tecnologia de uma cooperativa agrícola.

Para superar os desafios de implementação, as empresas estão recorrendo principalmente aos parceiros que já fazem parte de seu ecossistema tecnológico. Quase dois terços afirmaram depender de seus fornecedores atuais de software, enquanto 38% disseram trabalhar com consultorias parceiras para acelerar a adoção da inteligência artificial.

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