Ampla humanização de pets na América Latina abre novas oportunidades

Magdalena Ferreira, da Mars, analisou o crescente interesse por gatos e a expectativa de maior longevidade dos animais estão influenciando o mercado com a chegada de tutores mais jovens.

Professional headshot of a bald man with facial hair wearing a dark gray blazer and black shirt Headshot
Three people and three dogs enjoying conversation at an outdoor sidewalk café on a sunny day
Tim Wall | Imagem gerada com ferramentas de IA

É uma história que se repete em diferentes partes do mundo. À medida que os pets ocupam um espaço cada vez mais integrado à vida familiar, as empresas de alimentos para animais de estimação na América Latina encontram oportunidades para desenvolver produtos premium capazes de atender às crescentes expectativas dos tutores em relação à nutrição, longevidade e cuidados individualizados. É o que disse Magdalena Ferreira, gerente geral da Mars para a região sul da América Latina durante sua participação no Congresso da Indústria de Pet Food da América Latina. O evento aconteceu em Buenos Aires, em 23 de setembro. 

Em sua apresentação, Ferreira explicou como as mudanças na relação entre as pessoas e seus animais de estimação estão influenciando as decisões de compra e ampliando as responsabilidades da indústria. Segundo ela, as gerações mais jovens enxergam cada vez mais a tutoria de pets como uma forma de parentalidade, com impactos que vão do desenvolvimento de produtos aos padrões de qualidade. “Se o pet é um membro da família, quero que ele viva por muito tempo”, afirmou Ferreira.

Essa expectativa cria demanda por formulações, serviços e outras soluções que contribuam para a saúde e o bem-estar dos animais ao longo de toda a vida. Também transforma o que os tutores esperam dos fabricantes, à medida que a alimentação passa a fazer parte de um interesse mais amplo por nutrição e qualidade de vida.

Ferreira ilustrou essa evolução descrevendo a trajetória de um cão: do quintal para a varanda, depois para a sala e, finalmente, para a cama. À medida que os pets se aproximam de seus tutores, aumentam também as expectativas em relação aos cuidados oferecidos a eles.

Segundo ela, consumidores mais jovens, incluindo integrantes da Geração Z e millennials, ajudam a impulsionar essa transformação. A relação que mantêm com seus animais influencia decisões que vão além da compra de alimentos, incluindo escolhas sobre onde viajar, comer e passar o tempo livre.

Para a indústria de pet food, essas mudanças tornam cada vez mais relevante compreender a rotina dos tutores e suas expectativas no desenvolvimento de produtos.

Gatos e lares com diferentes espécies influenciam o desenvolvimento de produtos

Ferreira apontou o crescimento da população de gatos como outra oportunidade para o setor. Ela destacou que a percepção de independência dos felinos pode ser especialmente atraente para pessoas que trabalham fora de casa e se preocupam em deixar um cão sozinho.

Ao mesmo tempo, segundo ela, os gatos também apresentam desafios para os fabricantes por causa de suas preferências alimentares e maior seletividade. Atender a essas expectativas exige atenção contínua ao desenvolvimento de produtos e à oferta de variedade.

Lares que convivem com cães e gatos representam outra frente de inovação. Ferreira incentivou a indústria a considerar como a presença das duas espécies modifica as necessidades dos tutores e quais produtos e experiências as empresas podem oferecer.

A oportunidade também passa por reconhecer as diferenças entre os próprios animais. Um pet que vive em um apartamento pode ter uma rotina muito diferente daquele que vive no campo, afirmou. Essas particularidades devem ser consideradas pelas empresas na definição de estratégias de nutrição e serviços.

Na Argentina, Ferreira descreveu o alimento seco como o formato predominante, enquanto identificou alimentos úmidos e petiscos como categorias com espaço para crescimento. Ela também destacou a maior relevância dos alimentos úmidos no segmento de gatos, relacionando essa oportunidade à seletividade dos felinos e ao interesse por variedade.

Humanização eleva as expectativas em relação à ciência e à qualidade

Embora tendências observadas no mercado de consumo humano possam influenciar a demanda por produtos para pets, Ferreira alertou que a popularidade de uma tendência entre as pessoas não significa que ela seja necessariamente adequada aos animais. “Nem tudo o que funciona para um ser humano funciona para os pets”, afirmou.

Ela ressaltou a importância do conhecimento científico sobre nutrição de cães e gatos para responder às mudanças nos interesses dos consumidores. “Hoje, o tutor de pet está muito mais informado. Cabe à indústria desenvolver produtos apropriados para os animais, ao mesmo tempo em que atende às expectativas dos tutores”, disse Ferreira.

Veterinários e varejistas especializados também assumem um papel importante de orientação. O acesso a informações qualificadas passa a integrar a proposta de valor mais ampla associada a um produto.

Ferreira também relacionou a crescente importância emocional dos pets a expectativas mais elevadas em relação à segurança e à qualidade dos produtos. As empresas precisam avaliar novas oportunidades de mercado levando em conta essas responsabilidades. “Ciência e qualidade são muito importantes”, afirmou.

Além da inovação, Ferreira apontou educação, tutoria responsável, acesso à categoria e sustentabilidade como prioridades para a indústria. Sua apresentação colocou o crescimento do setor como uma resposta às mudanças nas necessidades dos lares, tendo ciência e qualidade como pilares dos produtos desenvolvidos para atendê-las.

Página 1 de 4
Próxima Página