MBRF Pet: do varejo alimentar à liderança global em dez anos de operações

Ao apostar em aquisições estratégicas, no avanço sobre o segmento premium e em uma cadeia de produção própria, empresa se consolidou entre as 20 maiores indústrias de pet food do mundo às vésperas de completar 10 anos de mercado

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Divulgação | MBRF

A divisão pet da MBRF (antiga Brasil Foods S.A.), que completará 10 anos em 2027, figura hoje entre as gigantes globais da nutrição animal. No entanto, a guinada decisiva que consolidou a companhia nessa posição de destaque ocorreu há apenas cinco anos, fruto de reposicionamentos estratégicos no setor.

Em 2021, diante do aquecimento do mercado pet pós-pandemia de covid-19, a então BRF investiu R$ 1,2 bilhão na aquisição de duas companhias com décadas de pioneirismo no mercado de nutrição animal: o grupo Hercosul, do Rio Grande do Sul, e a Mogiana Alimentos, de São Paulo. "Eram duas empresas que tinham uma característica similar e faziam todo o fit com a nossa estratégia, além de serem dois dos principais players do mercado de super premium natural", conta Stanley Andrade, diretor-geral da MBRF Pet.

Cinco anos depois, a aposta compensou. Hoje, sob a bandeira da MBRF, formada em 2025 pela incorporação da BRF pela Marfrig, a divisão de pet food da companhia opera cinco fábricas, quatro no Brasil e uma no Paraguai, tem presença como Gold Market em todo o território nacional, exporta para 20 países e emprega cerca de 1.500 pessoas. 

Essa estrutura coloca a companhia no ranking Top Pet Food Companies 2025, da Petfood Industry, entre as 20 maiores indústrias de pet food do mundo com um faturamento anual de US$ 765 milhões (R$ 3,9 bilhões). A posição é sustentada por uma sequência de decisões estratégicas, por uma aposta no segmento premium e por um posicionamento em bem-estar animal e longevidade.

História construída pela união de ecossistemas

A trajetória da companhia passa por sucessivas fusões. A mais recente, concluída em 2025, foi a incorporação da BRF pela Marfrig, do setor de carne bovina, dando origem à MBRF. No entanto, a própria BRF já havia nascido de uma fusão: em 2011, a união entre Sadia e Perdigão criou a Brasil Foods, então a segunda maior indústria alimentícia do país, atrás apenas do frigorífico JBS Friboi, e a terceira maior exportadora brasileira.

A divisão de pet food nasceu antes da fusão com a Marfrig e das aquisições de 2021. Segundo Andrade, a operação “jogava no mercado de pet food com só uma fábrica e um volume bem mais reduzido; além disso, a principal marca da época era a Balance, lançada em 2017, que encabeçava um portfólio muito voltado para o varejo alimentar”. 

Com a união dos portfólios do Grupo Hercosul e Mongiana, vieram as marcas que hoje representam a companhia: GranPlus, Guabi Natural e Biofresh. As empresas adquiridas operaram de forma não consolidada até 2025, ano em que a consolidação deu origem à MBRF Pet como é conhecida hoje. 

No caminho, em 2023, a antiga Brasil Foods chegou a colocar a divisão de pet food à venda, em um movimento ligado à necessidade de desalavancar o balanço. No fim do terceiro trimestre daquele ano, a dívida líquida da BRF era de R$ 14,8 bilhões, o equivalente a 3,26 vezes o Ebitda dos últimos 12 meses. A Nestlé era apontada como compradora mais provável, depois de ter perdido para a BRF a disputa pelo grupo Hercosul. 

No entanto, após quase nove meses de busca por um comprador, a empresa decidiu manter o negócio. À época, analistas financeiros avaliaram a decisão como uma demonstração de comprometimento com sua disciplina financeira, indicando que a companhia não teria mais a necessidade de liquidar ativos a valuations pouco atrativos para levantar dinheiro. Hoje, a alimentação pet é um dos negócios que ajudam a explicar o lugar da MBRF entre as maiores companhias do setor no mundo.

A virada para o premium e o super premium

Atualmente, a estratégia de marcas da companhia se organiza em torno dos segmentos premium, super premium e super premium natural, segmentos considerados como os principais objetivos de negócio, segundo Andrade. “Temos duas das principais marcas de super premium natural. A Guabi Natural, que foi a primeira marca de super premium natural do Brasil, lançada há mais de 20 anos, quando sequer existia esse conceito por aqui. E temos, mais recentemente, a Biofresh, a primeira marca do mercado brasileiro a ter um alto índice de inclusão de ingredientes frescos, como carnes e frutas". A GranPlus completa o portfólio como a marca de maior volume da companhia e, mais recentemente, como uma nova aposta na disputa por espaço no segmento super premium.

Granplus PerformanceDivulgação | MBRF

Em 2026, a GranPlus estreou nessa categoria com o lançamento da linha GranPlus Performance para cães. A linha reúne formulações para cães de diferentes portes e fases de vida, de filhotes a sêniores, com carne de frango e ingredientes selecionados, antioxidantes naturais e componentes funcionais, além de ser sem corantes, aromatizantes artificiais ou ingredientes transgênicos.

O movimento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. "O tutor tem mais acesso à informação e está mais engajado em pesquisas para escolher o alimento que vai dar ao pet. Esse crescimento do conhecimento, combinado com o aumento da preocupação com a saúde dos pets, aumenta o fluxo da demanda para categorias de super premium", afirma o executivo. 

Para ele, isso demonstra um amadurecimento do mercado brasileiro e descreve o papel da companhia como o de ajudar o tutor a transformar as muitas opções disponíveis em decisões informadas, com um portfólio que vai da Biofresh, descrita por ele como a principal marca da companhia em qualidade nutricional, até a nova GranPlus Performance, pensada para ampliar o acesso à categoria super premium.

Controle da origem ao prato do pet

Uma característica marcante da operação da MBRF é que a companhia mantém controle total sobre parte relevante da cadeia de ingredientes. Segundo Andrade, é claro que a empresa não produz todos os ingredientes das formulações, mas, em questão de proteína de origem animal e inovações do setor alimentício, ela conta com a maior parte dos insumos originados na própria estrutura. 

Andrade cita três vantagens desse cenário. A primeira é o controle de qualidade: "eu sei se estou usando uma farinha de frango, sei exatamente a origem desse frango, do que ele comeu até a farinha que estou usando. Tenho o controle de toda a cadeia, e é difícil encontrar quem tenha essa rastreabilidade, esse controle de qualidade". 

A segunda é o acesso a ingredientes funcionais desenvolvidos em outras áreas da companhia, fora do pet food, o que permite pesquisas em conjunto. E a terceira é o balanceamento de custos. "Estou menos exposto a volatilidades do mercado, ainda que esse seja um dos meus desafios, do que quem está comprando 100% da matéria-prima fora".

Essa estrutura ganhou reforço com a fusão entre BRF e Marfrig, em 2025. Segundo Andrade, a estratégia permaneceu a mesma na divisão de pet food: desenvolvimento de marcas fortes e investimento em inovação para transformar estudos científicos em soluções para os pets. Mas a capacidade de execução de projetos mudou. 

“A estrutura ficou maior, mais resiliente; a nossa capacidade de investimento ficou mais robusta, o que nos permite acelerar e ampliar investimentos em pesquisa e desenvolvimento, sejam novos ingredientes, sejam novos produtos", diz Andrade. Essa robustez operacional, diz ele, permite uma operação fabril e logística fortalecida tanto no Brasil quanto globalmente.

Próximos passos: tendências, lançamentos e expansão internacional

Segundo Andrade, o planejamento futuro da MBRF Pet está organizado em três frentes: super premium natural, gatos e snacks funcionais. Stanley Andrade, diretor-geral da MBRF Pet, conversou com a Petfood Forum Brasil sobre a história e próximos passos de uma das maiores fabricantes de pet food global.Stanley Andrade, diretor-geral da MBRF Pet, conversou com a Petfood Forum Brasil sobre a história e próximos passos de uma das maiores fabricantes de pet food global. Divulgação | MBRF

A primeira acompanha o fortalecimento do vínculo entre humanos e pets, o que impulsiona o crescimento de alimentos com maior potencial nutritivo, ingredientes mais naturais e funcionalidades específicas, território das categorias super premium natural. 

A segunda decorre do crescimento mais acelerado da população de gatos em relação à de cães, no Brasil e em outros mercados onde a companhia atua, o que abre espaço para alimentos úmidos, como sachês e patês, a exemplo do recém-lançado patê de GranPlus. 

A terceira envolve os snacks funcionais ou balanceados, como o bifinho GranPlus, formulado com proteína 100% de origem animal e sem corantes artificiais, pensado, segundo Andrade, para fazer parte da rotina nutricional do pet, e não apenas uma recompensa esporádica.

No front internacional, a companhia atende 20 países, com Paraguai, Uruguai e Chile despontando como os mercados internacionais mais relevantes. O Paraguai tem vendas fortes e capilaridade. O Uruguai é um mercado pequeno, mas relevante, no qual a companhia diz competir com marcas globais. E o Chile, onde a empresa está presente há quase uma década, tem um mercado de super premium natural já desenvolvido. 

Andrade afirma que ainda há espaço para crescer na América do Sul: a Argentina, por exemplo, ainda não recebeu a operação da companhia, mas está nos planos de curto prazo. Mercados como o Peru também vêm crescendo ano a ano e o executivo diz que existem avaliações sobre a capacidade da empresa de acessar mercados desenvolvidos, como a Europa e os Estados Unidos, além de outros ainda em desenvolvimento.

Para o executivo, o fio condutor de todas as frentes passa por construir soluções que atendam às necessidades dos pets e dos tutores. 

"Nós temos uma responsabilidade muito grande de transformar conhecimento técnico e pesquisa em inovação de produto e de solução para os nossos pets. Queremos ser reconhecidos pelas soluções que oferecemos para melhorar a qualidade de vida, a saúde e a longevidade dos pets, dar uma opção de valor para os veterinários e fortalecer o vínculo entre tutores e pets. A gente realmente acredita que aí está o nosso propósito, e é para isso que trabalhamos todo dia, em cada investimento que decidimos fazer."

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