Petfood Forum Brasil destaca inovações e tendências em nutrição, processamento e segurança de alimentos para pets

Fabiano Cesar Sá, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Adimax, apresentou novidades científicas que moldam o futuro da indústria pet brasileira.

Fernando De Sá Petfood Forum Brasil

A segunda palestra do Petfood Forum Brasil, realizada em 14 de agosto durante a Pet South America 2025 (PETSA), apresentou um panorama aprofundado sobre as pesquisas mais recentes em nutrição, processamento e segurança de alimentos para cães e gatos. O conteúdo foi conduzido por Fabiano Cesar Sá, doutor em Medicina Veterinária e gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Adimax, que reuniu resultados publicados entre 2020 e 2025 e analisou suas implicações para a indústria de pet food.

Sá deu início à palestra apontando para dados de produção de pet food no Brasil. Entre 2022 e 2024, a produção nacional cresceu entre 300 e 400 mil toneladas, segundo divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), uma leve queda na comparação com 2023. Segundo Sá, esse resultado aponta para mudanças no perfil dos ingredientes à medida que a indústria aposta em maior qualidade. “Partes da indústria estão diminuindo o uso de subprodutos, aumentando o uso de ingredientes com maior densidade energética, o que pode reduzir o volume final já que requerem mais energia para serem feitos. 

Tendências que ditam a indústria brasileira

Na sequência, Sá apresentou um panorama sobre o mercado brasileiro. Segundo ele, a demanda por produtos premium segue em alta, impulsionada pela humanização dos pets e por regulações mais rígidas. 

No Brasil, ainda há grande espaço para expansão, já que parte da população continua oferecendo sobras aos animais. A sustentabilidade e o ESG também entram no radar, estimulando o uso de ingredientes de economia circular e a redução da pegada ambiental.

Além disso, “o perfil do consumidor está mudando e isso exige um papel mais ativo das empresas na informação e no treinamento dos clientes. Talvez estejamos em um momento de reeducar o que eles aprendem na internet”, destacou.

Ingredientes funcionais: a ciência por trás das tendências

Segundo Sá, as tendências do mercado pet seguem cada vez mais voltadas para ingredientes funcionais e processos inovadores que unem saúde e tecnologia. Prebióticos e probióticos, por exemplo, tiveram alta de 18% em alimentos para cães e 9% para gatos em 2024, apoiados por estudos que comprovam melhora da imunidade e respostas específicas em animais, de acordo com dados apresentados no Global Pet Expo 2025. 

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Além disso, leveduras, beta-glucanas e hidrolisados funcionais ganham cada vez mais espaço por seus efeitos antioxidantes, imunológicos e digestivos, enquanto o uso de ácidos graxos ômega-3 reforçam a absorção de nutrientes e alternativas mais sustentáveis. 

Paralelamente, técnicas de processamento como extrusão, alta pressão e liofilização aumentam a segurança, a palatabilidade e a conservação dos alimentos, alinhando inovação, bem-estar animal e eficiência produtiva.

Nutrição clínica: principais avanços científicos para o setor pet

No universo da nutrição pet, Sá trouxe as principais pesquisas que estão moldando inovações. Um exemplo é o estudo “Active fractions of mannoproteins derived from yeast cell wall stimulate innate and acquired immunity of adult and elderly dogs”, liderado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP e do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA). 

Publicado em 2020 na revista Animal Feed Science and Technology, o trabalho demonstrou que frações ativas de manoproteínas derivadas da parede celular de leveduras estimulam o sistema imunológico de cães adultos e idosos, com efeitos positivos na atividade de neutrófilos (tipos de glóbulos brancos) e na produção de intermediários reativos de oxigênio por essas células.

Outra linha promissora é a das beta-glucanas, fibras solúveis presentes em alimentos como aveia e conhecidas da nutrição humana por seus benefícios para o sistema imunológico. Pesquisa da UNESP publicada em 2024 investigou o impacto de beta-glucanas provenientes das leveduras de cerveja (Saccharomyces cerevisiae), e de uma microalga de água doce (Euglena gracilis), no sistema imune de cães. Os resultados apontaram diferentes vias de ação: enquanto as beta-glucanas de S. cerevisiae ativaram a imunidade mediada por células, as de E. gracilis atuaram principalmente sobre monócitos e respostas inflamatórias, abrindo caminho para aplicações personalizadas em dietas funcionais.

Para Sá, os hidrolisados funcionais também mostram potencial crescente. Outro estudo destacado na apresentação avaliou a substituição parcial da farinha de vísceras de aves por sua versão hidrolisada. Em níveis de 5% e 10%, a adição estimulou o sistema antioxidante e a secreção de citocinas ligadas à função imunológica, indicando benefícios à saúde felina e abrindo novas perspectivas para formulações mais eficientes. O trabalho foi conduzido pela UNESP e publicado em 2025 no Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition.

Na área de carboidratos, a gelatinização do amido foi destaque. O estudo “Dog Breed and Starch Gelatinisation Correlation in Food Digestibility and Faecal Traits”, publicado em 2024 também no Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, analisou raças como Beagle, Shih-Tzu e Rottweiler, mostrando que níveis mais altos de gelatinização melhoram a digestibilidade e a absorção de minerais como sódio e potássio. 

Ademais, Sá ressaltou que os ácidos graxos, como o ômega-3, seguem em alta no mercado. No entanto, tendências de sustentabilidade impulsionam a busca por fontes alternativas do nutriente. “Houve aumento no uso desses ingredientes em formulações, mas há atenção crescente para fontes sustentáveis, como algas, diante do alto custo da obtenção do peixe para o setor e limitações ambientais.” 

Por fim, os antioxidantes naturais registram crescimento acima de 10%, impulsionados pela demanda por produtos mais limpos e conservantes naturais, refletindo o alinhamento da indústria pet à busca global por ingredientes de origem natural e benefícios comprovados à saúde.

Inovação no processamento e segurança

Na esfera da produção, Fabiano de Sá enfatizou a implementação de tecnologias inovadoras que promovem a redução do consumo de recursos, aprimoram a segurança alimentar e otimizam a digestibilidade, entre outras vantagens.

Por exemplo, a extrusão com controle preciso de energia térmica tem se consolidado como etapa essencial na fabricação de alimentos secos para pets. Estudo da UNESP, publicado em 2021 no Journal of Animal Physiology and Animal Nutrition, revelou que variações nos níveis de energia térmica e mecânica influenciam diretamente a expansão do produto, a gelatinização do amido e a aceitação pelos felinos. Além de melhorar a digestibilidade e a textura, esse ajuste fino contribui para aumentar a produtividade industrial e reduzir o consumo de energia elétrica, alinhando eficiência e sustentabilidade.

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Outra técnica destacada é o Processamento por Alta Pressão (HPP), que desponta como tecnologia estratégica para garantir segurança alimentar, eliminando patógenos como Salmonella e Listeria sem necessidade de altas temperaturas. Conforme estudo da Hiperbaric de 2025, o método preserva sabor e nutrientes, atendendo à demanda por alimentos minimamente processados e de alta qualidade. 

Já a liofilização, destacada em pesquisa publicada no Integrative Veterinary Care Journal em 2025, mantém até 97% dos nutrientes originais, oferece longa vida útil sem refrigeração e assegura alta palatabilidade, posicionando-se como opção premium para tutores que buscam conveniência sem abrir mão do valor nutricional.

Tendências futuras

Encerrando a apresentação, o gerente de P&D da Adimax ressaltou que o futuro da nutrição pet será moldado pela combinação entre pesquisa científica de ponta, regulamentações alinhadas à realidade do setor e expectativas cada vez mais exigentes dos consumidores.

Entre as inovações que devem liderar essa expansão estão as proteínas alternativas, como insetos (grilo e black soldier fly), algas e proteínas cultivadas. Além disso, soluções sustentáveis serão cada vez mais necessárias e presentes, incluindo ingredientes de economia circular, como hidrolisados de peixes provenientes de subprodutos, além de embalagens compostáveis e biodegradáveis.

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A tendência de nutrição personalizada também avança, com dietas formuladas a partir do perfil genético e da análise de microbioma, apoiadas por aplicativos e dispositivos que monitoram a saúde em tempo real. Na saúde preventiva, despontam peptídeos bioativos com ação imunomoduladora, ingredientes anti-inflamatórios naturais e moduladores de longevidade, indicando um futuro em que ciência, tecnologia e bem-estar animal caminham lado a lado para oferecer produtos mais eficientes e sustentáveis.

“A integração de pesquisa científica avançada, regulamentação adequada e demandas do consumidor impulsionará o desenvolvimento de produtos cada vez mais seguros, nutritivos e personalizados para cães e gatos,” finalizou o gerente de P&D da Adimax.

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