Petfood Forum Brasil destaca crescimento, desafios e tendências do mercado pet no país

Setor deve faturar R$ 78,3 bilhões em 2025; Brasil é o terceiro maior mercado do mundo e enfrenta gargalos tributários e de acesso à nutrição adequada para animais.

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Petfood Forum Brasil

O Brasil se firma cada vez mais como um dos maiores e mais importantes mercados globais no segmento pet. Com uma população de 1,78 bilhão de animais de estimação, o mercado mundial é estimado em US$ 206,9 bilhões (R$ 1,1 trilhão), e o Brasil ocupa a terceira posição, representando 4,9% desse total.

Os números, compilados pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e o Instituto Pet Brasil (IPB), foram apresentados no seminário “Principais tendências e percepções do mercado de alimentos para pets no Brasil” que reuniu dados exclusivos e análises estratégicas sobre o setor. 

Apresentado por José Edson Galvão de França, presidente executivo da Abinpet e membro do Conselho Consultivo do IPB, o encontro integrou a programação oficial do Petfood Forum Brasil na Pet South America 2025, realizada entre os dias 13 e 15 de agosto no Distrito Anhembi, em São Paulo.

Brasil, potência global no setor pet

Com 1,78 bilhão de pets no mundo, sendo a maioria peixes ornamentais, seguidos de cães, gatos, aves ornamentais, répteis e pequenos mamíferos, o mercado global movimenta US$ 206,9 bilhões (R$ 1,1 trilhão). Os Estados Unidos lideram com 43% de participação, seguidos pela China (6,4%) e pelo Brasil, que ocupa a terceira colocação com 4,9% do mercado.

No cenário nacional, a população pet atingiu 164,6 milhões de animais em 2024, crescimento de 2,71% em relação ao ano anterior. Entre eles, estão 63,7 milhões de cães, 43,3 milhões de aves ornamentais (a segunda maior população mundial), 32,2 milhões de gatos, 22,6 milhões de peixes ornamentais e 2,9 milhões de répteis e pequenos mamíferos.

Mercado pet brasileiro deve faturar R$ 78 bilhões em 2025

Projeções da Abinpet apontam que o setor deve movimentar R$ 78,3 bilhões em 2025, alta de 3,8% frente ao ano anterior e um crescimento tímido na comparação com a alta de mais de 9% entre 2023 e 2024. Somando pet food, produtos de cuidado e serviços veterinários, a participação da indústria de produtos supera 70% do mercado.

A categoria de pet food segue como carro-chefe, respondendo por 53,5% do faturamento total. No entanto, Galvão de França destaca que o segmento teve retração de 0,9% registrada em 2024, reflexo da queda na produção. 

Depois da alimentação animal, serviços gerais e veterinários respondem juntos por 19,2% do valor do setor, enquanto a venda de animais mantém relevância no mercado, com 10,9% do faturamento.

Em volume, a produção de pet food em 2024 foi de 4,055 milhões de toneladas, redução de 0,6% em relação a 2023. O volume de produção apresentado pela Abinpet corresponde ao acompanhamento de 135 indústrias de pet food distribuídas em todo o território nacional para todas as classificações de pets. Cães representam 80% da produção e, gatos, 19%. O 1% restante representa a produção de ração para aves ornamentais, peixes, répteis e pequenos mamíferos. 

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Para 2025, a expectativa é de uma queda mais acentuada, de 3,4%, mesmo com o país tendo capacidade para produzir 9,11 milhões de toneladas. Galvão de França aponta desafios de consumo para o crescimento do setor. 

“O problema não é só de marketing de produto. Hoje, ainda existem muitos pets que são alimentados com comida humana ou sobras no Brasil, o que entendemos que não é a melhor prática. Há falta de entendimento sobre nutrição animal, além de barreiras de acesso à informação e aos produtos, principalmente por questões de preço”, ressaltou Galvão de França. 

Ainda assim, a associação aponta um consumo potencial de 5,06 milhões de toneladas de pet food no Brasil. 

Canais de distribuição e comércio eletrônico

Segundo dados da Abinpet, os pet shops pequenos e médios seguem como principal canal de vendas no Brasil, concentrando 48,5% do mercado. Em seguida aparecem clínicas e hospitais veterinários (17,9%), pet shops mega stores (9,3%), varejo alimentar como supermercados e hipermercados (7,9%), agrolojas (7,5%) e outros (1,5%).

No e-commerce, o canal especializado lidera com 40,6% das vendas online, seguido por mega stores (26,8%), pet shops de pequeno e médio porte (21,5%), clínicas e hospitais (4,9%), agrolojas (2,8%) e varejo alimentar em geral (2,7%).

Para a Abinpet, a adesão dos brasileiros ao comércio online no setor pet se consolidou nos últimos anos, tornando-se um hábito especialmente nas regiões metropolitanas. “A digitalização passou a integrar a rotina dos tutores, que buscam praticidade, ofertas exclusivas e modelos recorrentes de consumo, como os serviços de assinatura”, apresentou Galvão de França

Geração de empregos e desafios tributários

Em 2024, o setor pet empregou 3,45 milhões de pessoas no Brasil, 4,6% superior ao observado em 2023. Desse total, 75 mil estão na indústria, 359 mil no comércio, 170 mil em serviços veterinários especializados e 2,85 milhões em criadouros, que representam 82,6% dos postos de trabalho.

'A indústria brasileira está preparada para atingir seu potencial de produção', declara Galvão de França durante palestra no Petfood Forum Brasil."A indústria brasileira está preparada para atingir seu potencial de produção", declara Galvão de França durante palestra no Petfood Forum Brasil.Petfood Forum Brasil

Ainda que o cenário aponte para um saldo positivo, no geral, o presidente executivo da Abinpet afirma que 2025 tem se mostrado um ano de desafios. “Muitas discussões de interesse do setor estão em andamento. O mercado pet enfrenta desdobramentos de temas regulatórios, desafios econômicos e véspera de ano eleitoral, por exemplo, que impactam na produção, consumo e, consequentemente, na estratégia da indústria.”

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Um dos principais obstáculos apontados por Galvão de França é a carga tributária, que hoje chega a 50%. “A reforma tributária criou grande expectativa, mas trouxe poucas vantagens. Brigamos por uma redução de 60%, como ocorreu com as rações para grandes animais, mas a expectativa de melhora não se concretizou.” 

No entanto, o presidente se diz otimista. “A indústria está preparada para alimentar a população nacional de pets e atingir seu potencial de produção. A principal queixa dos empresários ainda são os impostos. Mesmo com a retirada do IPI, o mercado continua sendo considerado supérfluo, mas temos nos esforçado para promover os interesses do setor em busca de aprimoramentos tributários.”

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