Fusão Cobasi-Petz configura monopólio?

Campanha alerta que união pode gerar pressão sobre pequenos e médios negócios e aumento de preços, levando a um abandono em massa de cães e gatos; especialistas dizem que posicionamento é alarmista.

Petz Cobasi Fusão
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Um mês após a aprovação da fusão entre Cobasi e Petz, duas das maiores varejistas do setor pet brasileiro, a operação é alvo de forte contestação. 

Nas redes sociais, a ONG Instituto Caramelo, dedicada ao resgate e cuidado de animais domésticos em situação de maus tratos e abandono, alerta que a junção das companhias criaria o maior monopólio do setor, cujas “consequências serão devastadoras tanto para os bichinhos que mais amamos, quanto para as pessoas que trabalham diariamente pelo bem estar deles”, de acordo com a página da campanha.

Segundo a entidade — que conta com a Petlove, habilitada como terceira interessada na análise da operação, como principal patrocinadora — a participação combinada pode ultrapassar 50% da distribuição e venda de produtos e serviços no setor. A preocupação principal é que a nova gigante pressione o mercado com promoções agressivas para enfraquecer a concorrência e, em seguida, aproveitem para elevar os preços. 

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Uma nota técnica da consultoria Go Associados, fundada por Gesner Oliveira, ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), projeta que a união Petz–Cobasi gere alta mínima de 5% nos preços, especialmente fora dos grandes centros urbanos, onde o domínio das megastores é mais forte.

Batizada de #NãoAoMonopólioPet, a campanha prevê um cenário obscuro, com a falência geral de pet shops e comércios pet de bairro, menor acesso à produtos e serviços veterinários e abandono de animais em massa. 

“Quem defende o monopólio está ignorando o que acontece todos os dias nas ruas e nos abrigos: bichos abandonados, doentes, sem acesso a cuidados mínimos. Todos que amam os animais precisam ser a voz dos seus pets e agir rápido para que as autoridades compreendam o quanto esse monopólio pode ser prejudicial para milhões de vidas”, ressaltou Marília Lima, responsável técnica do Instituto Caramelo. 

O Instituto reforça que a campanha é uma iniciativa independente, sem conexão com a patrocinadora. A Petlove, no entanto, está engajada na campanha e protocolou um recurso no Cade para contestar a fusão.

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O que a junção entre Petz e Cobasi significam para o mercado pet

O posicionamento diverge da análise do órgão antitruste, cuja Superintendência-Geral aprovou a fusão em junho deste ano sem restrições.A começar pela fatia de mercado, o relatório do Cade aponta que a empresa resultante da fusão teria, em média, cerca de 28% de participação de mercado no Brasil, percentual abaixo dos limites definidos pelo órgão e do que alega o Instituto Caramelo. As duas empresas, por sua vez, informaram possuir 11% de participação total no anúncio da fusão. 

“Os números dependem da ótica que você dá para a situação”, diz Marcos Camilo, CEO da Pulse Capital e advogado empresarial especialista em fusões e aquisições. 

Camilo explica que, em uma ótica sobre o setor pet em geral, incluindo produtos, serviços e varejo, o número fica entre os 10% informados pelas empresas. Já os 28%, relatados pelo Cade, representam somente o mercado de produtos. “Mas, se olharmos apenas o mercado físico, excluindo supermercados e outros players não especializados, o número pode atingir os 50%”, afirma.

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Para mercadorias, o cenário pode ser preocupante. Segundo Camilo, a nova gigante teria mais volume para trabalhar em margens menores e apertar as margens dos pequenos negócios, especialmente sobre produtos que não demandam fidelidade, como rações e petiscos. No entanto, fora dos grandes centros, a grande pulverização do mercado faz com que a ameaça não seja tão significativa. 

Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e Instituto Pet Brasil (IPB) mostram que pet shops pequenos e médios permanecem como quase metade de todo movimento do varejo no Brasil, representando 48,5% do faturamento total do setor em 2024. Em seguida estão as clínicas e hospitais veterinários, com 18% e as cadeias de megastores, por sua vez, tem uma fatia de 9,3%. 

No setor de serviços, por outro lado, a fusão pode não ter grandes impactos. “Os consumidores ainda preferem os prestadores de serviços menores com os quais possuem mais afinidade de relacionamento e confiança”, afirma. Além disso, o especialista diz que a oferta de serviços não é escalável no mesmo modelo em que a Cobasi e a Petz projetaram a hegemonia para produtos industrializados, o que dá muita força competitiva para lojas locais.

A união Cobasi-Petz vai criar uma companhia com receita bruta ao redor de R$ 7 bilhões de com 494 lojas em mais de 140 cidades e 20 marcas próprias de produtos.

O que dizem as empresas

Em comunicado conjunto, a Cobasi e Petz afirmam que “entendem que as informações passadas são incorretas e distorcem a análise realizada de forma isenta e técnica pelo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que consultou o mercado amplamente e utilizou as melhores práticas para obter uma visão completa do mercado, concluindo que a operação não resultará em preocupações concorrenciais nem prejudicará a concorrência no setor. 

As empresas também notam que o Instituto Caramelo é patrocinado pela Petlove, concorrente direta das companhias e parte interessada na reprovação da operação. O fundador da Petlove, Márcio Waldman é também conselheiro do Instituto Caramelo. Esta tentativa de interferência em um processo técnico desvirtua a intenção original do Instituto, de cuidado com os pets abandonados.

A Cobasi mantém desde 1998 o programa Cobasi Cuida. São mais de 200 mil animais amparados desde o início do projeto, mais de 8 milhões de refeições doadas e 190 ONGs apoiadas em todo o Brasil. Já a Petz desenvolve o Adote Petz, o maior programa privado de adoção de cães e gatos do país, responsável por 85 mil adoções desde sua criação em 2007. Só no ano passado, a Petz doou R$ 6,9 milhões em produtos e refeições, serviços veterinários e apoio em ações sociais para as 137 ONGS apoiadas pelo programa. 

Ambas as iniciativas demonstram que a atuação das empresas vai muito além dos animais tutelados, alcançando também aqueles que ainda esperam por um lar. As empresas reforçam o seu compromisso com o mercado, com os tutores e com os pets abandonados.

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