
Dados divulgados pela Abinpet, em parceria com o Instituto Pet Brasil, projetam uma receita de R$ 78 bilhões para o setor pet brasileiro em 2025, um aumento modesto de 3,5% em relação aos R$ 75,4 bilhões registrados em 2024.
Esse é o menor índice de crescimento do setor desde 2019, sinalizando um momento crítico para uma indústria há muito tempo considerada resiliente, mesmo em períodos de crise econômica. Mas aqui está o ponto-chave: não se trata apenas da economia.
Setor pet brasileiro enfrenta ventos contrários na macroeconomia
Vários fatores vêm se somando para criar um cenário desafiador. Segundo a entidade do setor, a alta do dólar encarece insumos internacionais essenciais, como farinhas de origem animal e vegetal; a inflação persistente, acima da meta do Banco Central, combinada ao consumo doméstico enfraquecido, reduz o poder de compra.
E, como cereja do bolo, a carga tributária elevada continua afetando a competitividade e a capacidade de investimento.
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Queda na produção rompe ciclo de crescimento
Mais do que a receita, o sinal mais preocupante vem do volume de produção. Dados da Abinpet e do IPB mostram que, em 2024, a produção de pet food caiu para 4,055 milhões de toneladas, uma retração de −0,6%, a primeira em anos.
As projeções para 2025 indicam nova queda, para 3,933 milhões de toneladas, uma retração ainda mais acentuada de −3,7%. Esse movimento interrompe o crescimento contínuo observado entre 2015 e 2022 e acende alertas em toda a cadeia de valor: fábricas operando abaixo da capacidade, disrupções na cadeia de suprimentos e crescente pressão por eficiência e redução de custos.
Exportações sustentam parte do setor
Apesar das dificuldades no mercado interno, o setor pet brasileiro alcançou um recorde de US$ 580,58 milhões em exportações em 2024, um salto de 29% em relação ao ano anterior. Para a Abinpet, esse é um sinal de que a demanda internacional continua sendo um importante ponto de apoio.
Análise independente: fatores de demanda importam
Embora os fatores econômicos desempenhem um papel evidente, sabemos, observando outros mercados, que 2024 foi marcado por uma desaceleração global acentuada. No entanto, as condições macroeconômicas, por si só, não explicam por que uma indústria essencial como a de pet food, historicamente resiliente em crises anteriores, está enfrentando dificuldades.
Sempre há um fator relacionado à demanda por trás desses ciclos. E o que chama atenção é que a indústria brasileira ainda parece não ter identificado qual é esse fator. Entender as mudanças no comportamento do consumidor, nas preferências de tutores, nos padrões de compra ou na substituição entre categorias é crucial. Por outro lado, ignorar esses movimentos deixará o setor vulnerável mesmo quando a economia voltar a crescer.
Setor precisa investir em conhecimento de mercado
A indústria pet brasileira está em um ponto de inflexão. As pressões econômicas são reais, mas não são a única causa da desaceleração. Para garantir a sustentabilidade no longo prazo, os líderes do setor precisam não apenas defender reformas tributárias e ganhos de eficiência, mas também investir em análises aprofundadas sobre a demanda. Caso contrário, o setor corre o risco de confundir sintomas com causas, e de perder a chance de retomar o crescimento quando o cenário econômico melhorar.

















