Estudo: proteínas de insetos criam desafios no processamento de rações extrusadas

Pesquisa revela que larvas de mosca soldado negra e farinha de grilo exigem ajustes na formulação para garantir eficiência no processo de extrusão na fabricação de rações para cães.

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Estudo sugeriu estratégias de substituição parcial e retirada de gordura para a integração bem-sucedida de proteína de insetos na fabricação de alimentos para animais de estimação.
Estudo sugeriu estratégias de substituição parcial e retirada de gordura para a integração bem-sucedida de proteína de insetos na fabricação de alimentos para animais de estimação.
ncsmnd | Pixabay.com

Pesquisadores da Universidade Estadual do Kansas, nos Estados Unidos, divulgaram novos dados sobre o uso de proteínas de insetos na produção de rações extrusadas para cães. O estudo aponta que, embora essas fontes alternativas ofereçam benefícios sustentáveis, apresentam desafios tecnológicos importantes no processamento, que precisam ser superados para garantir a qualidade e a consistência do produto final.

A pesquisa avaliou o uso de farinha de larvas da mosca soldado negra (BSF, na sigla em inglês) e farinha de grilo como alternativas às tradicionais farinhas de frango e peixe. Os resultados mostraram que essas proteínas exigem cuidados específicos durante a extrusão, afetando diretamente as características dos grãos de ração seca.

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Grãos irregulares

A pesquisa foi conduzida com farinha de larva da mosca soldado negra (BSF) fornecida pela Prezero US e farinha de grilo da Entomo Farms, comparadas a farinhas de frango e peixe da Fairview Mills. 

Foram realizados dois experimentos: o primeiro comparou quatro tipos de proteína com 30% de inclusão; o segundo testou a substituição gradual da farinha de frango por BSF em diferentes níveis (0%, 10%, 20% e 30%). Todas as formulações foram balanceadas nutricionalmente para manutenção de cães adultos e processadas em equipamentos padrão de extrusão. A análise avaliou reologicamente os ingredientes, desempenho no processamento e qualidade dos grãos extrusados, incluindo expansão, textura e propriedades físicas.

Quando analisadas rações com 30% da proteína alternativa na composição, a farinha de grilo comprometeu a expansão dos grãos e aumentou a variabilidade do produto final por conter alto teor de gordura. Já a farinha de BSF, pelo alto teor de quitina, gerou rações com formatos irregulares, bordas afiadas e textura inconsistente — tornando os grãos frágeis demais (força de quebra inferior a 7 kg) ou duros em excesso (força superior a 13 kg).

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Por outro lado, o uso de farinha de BSF em menor proporção (10%) e combinada com farinha de frango melhorou significativamente a estabilidade do processo e a qualidade do produto final, mantendo os benefícios sustentáveis dessa fonte proteica.

Características de fluxo e desempenho no processo

O estudo utilizou testes reológicos avançados para a análise da textura dos produtos com as diferentes farinhas durante o processamento. Das combinações analisadas, os produtos de farinha de BSF e de peixe apresentaram melhor fluidez, com menor quantidade de energia necessária no processo de extrusão (energia de fluxo básico específica <13 mJ/kg) em comparação a farinha de frango e a de grilo (>14 mJ/kg). Essa melhor fluidez contribuiu para maior estabilidade na extrusão e produtos mais uniformes.

Outro resultado relevante é que as formulações com proteínas de insetos resultaram em grãos de ração com maior densidade aparente (328–382 g/L), em comparação às rações tradicionais com farinha de carne e osso (304–306 g/L). Isso se deve principalmente à composição diferenciada das farinhas de insetos, como o alto teor de gordura na farinha de grilo e a presença de quitina na BSF.

Recomendações estratégicas para proteínas de insetos em rações secas

O estudo conclui que a inclusão bem-sucedida de proteínas de insetos na fabricação de rações exige ajustes estratégicos na formulação. As principais recomendações incluem:

  • Substituição parcial: utilizar farinhas de insetos em níveis moderados (em torno de 10%), em vez de substituição total das fontes tradicionais.
  • Desengorduramento: reduzir o teor de gordura de farinhas com alto conteúdo lipídico, como a de grilo, para melhorar o desempenho na extrusão.
  • Otimização da formulação: ajustar ingredientes complementares e parâmetros de extrusão para acomodar as características específicas das proteínas de insetos.

O estudo completo, intitulado Use of Insect Meals in Dry Expanded Dog Food: Impact of Composition and Particulate Flow Characteristics on Extrusion Process and Kibble Properties, foi publicado na revista Processes.

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