
Apesar da desaceleração, caracterizada pela queda na produção e projeções, o Brasil continua sendo um mercado dinâmico e em expansão no setor de animais de estimação. O principal fator que impulsiona o setor é o aumento da população de pets, que cresceu 2,7% em 2024 em relação a 2023, segundo José Edson Galvão de França, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e membro do conselho consultivo do Instituto Pet Brasil. Ele apresentou os dados durante uma sessão do Petfood Forum Brasil, em 14 de agosto, na feira Pet South America (PETSA), em São Paulo.
O país conta com 164 milhões de pets, o que representa um potencial de consumo de 5 milhões de toneladas de ração. No entanto, atualmente apenas 45% desses animais consomem pet food industrializado, o equivalente a 4 milhões de toneladas em 2024. Ao mesmo tempo, a indústria brasileira de pet food tem uma demanda potencial de 9,11 milhões de toneladas. Isso revela uma enorme oportunidade de crescimento à medida que mais animais passam a consumir alimentos comercialmente disponíveis.
Em termos de vendas no varejo, o mercado brasileiro de pet food atingiu R$ 40,8 bilhões (US$ 7,54 bilhões) em 2024, um aumento de 3,5% em relação a 2023 e equivalente a 4,9% do mercado global, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da China, segundo dados da Abinpet.
Impressões da maior feira do setor pet da América Latina
Galvão de França dividiu o palco das sessões do Petfood Forum Brasil 2025 com Fabiano Cesar Sá, Ph.D., gerente de P&D da fabricante Adimax, que destacou as inovações em nutrição e produção que movimentam o setor. Os encontros ocorreram durante a Pet South America, uma das principais feiras da indústria pet no Brasil e América Latina.
Nos movimentados corredores da feira, destacou-se a diversidade, inovação e sofisticação dos estandes de pet food. Entre os produtos, chamaram atenção: toppers que remetiam a molhos da culinária humana; uma linha de rações da PremierPet, uma das maiores produtoras de pet food do país, fabricada em uma unidade com certificação LEED Gold e 100% movida a energia solar; e sachês de toppers/misturadores naturais da Pet Delicia, com ingredientes funcionais como sementes de chia.
Outro destaque foi a presença de várias empresas estrangeiras especializadas em co-manufatura, algumas participando pela primeira vez da feira e do mercado brasileiro. Entre elas estavam a alemã Landguth e pelo menos duas chinesas, incluindo a Wanpy. Diferentemente de outros mercados, a co-manufatura não parece tão presente no Brasil, possivelmente porque o país dispõe de terras abundantes e muitas marcas de pet food surgiram dentro de grupos do setor de nutrição animal, que já possuíam infraestrutura e expertise fabril.
Essa origem explica por que a ração seca ainda predomina no Brasil. Curiosamente, a Landguth é especializada em alimentos úmidos, enquanto lançamentos de empresas como a Pet Delicia focam em formatos alternativos ao seco. Isso pode indicar mudanças no perfil de consumo e produção do mercado brasileiro.
O “elefante na sala”: tarifas dos EUA
As tarifas de 50% anunciadas recentemente pelo governo Trump sobre diversos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, incluindo pet food, foram tema recorrente em quase todas as conversas durante o evento. O principal ponto de preocupação é a incerteza que esse cenário trouxe.
Muitos acreditam (ou preferem acreditar) que um acordo entre os dois países será firmado em condições mais favoráveis ao Brasil. Mas, enquanto não se sabe se as tarifas serão mantidas, cresce a insegurança e algumas empresas têm optado por desacelerar ou suspender projetos.
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Mesmo assim, a indústria brasileira de pet food, junto com outras empresas e entidades do setor pet e veterinário, mantém forte atividade no mercado interno e busca novas oportunidades na América Latina e em outras regiões. Seja a questão das tarifas um obstáculo passageiro ou um desafio de longo prazo, o mercado brasileiro de pet food mostra sinais claros de que seguirá em crescimento, com enorme potencial a ser explorado.


















