
“Qual é a visão para o seu produto?” Essa é a primeira pergunta a ser feita ao desenvolver um novo alimento ou petisco para pets, especialmente no segmento premium. É o que afirmou Will Henry, diretor da Extru-Tech, empresa que projeta e fabrica sistemas de extrusão de alta qualidade para as indústrias de pet food, ração para aquicultura e snacks globalmente.
A fala fez parte da apresentação do executivo durante o bate-papo Ask the Pet Food Pro de setembro, webinar mensal realizado pelo Petfood Industry. Em sua apresentação, ele descreveu uma série de perguntas que devem ser feitas logo no início do processo de desenvolvimento de um novo produto.
A pergunta inicial pode parecer básica, mas é fundamental para definir corretamente o produto antes de investir tempo e recursos no processo de desenvolvimento. Outras questões essenciais, de acordo com Henry, incluem:
- Qual será o diferencial do seu produto no mercado?
- Existe espaço para ele no mercado?
- O que você quer que o produto comunique e como pretende promovê-lo?
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Definir expectativas de custo e prazos é fundamental
Depois de reunir as informações básicas sobre o novo produto proposto, é hora de aprofundar a análise, explica Henry. “Você está mirando um produto com baixo teor de carboidratos, sem grãos, com alto teor de carne, premium ou super premium? Ele será funcional? E como isso se relaciona com sustentabilidade?”
Mas, tão importante quanto definir o conceito do produto é estabelecer expectativas claras sobre custos e prazos. “Essa é a segunda coisa que sempre tento fazer: definir expectativas. Tanto em relação ao ciclo de vida esperado desse processo quanto aos custos de ingredientes e logística”, disse. Segundo ele, muitos grupos, especialmente startups, não entendem que não é possível criar um produto em uma semana e colocá-lo nas prateleiras na semana seguinte. “Há muitos fatores em jogo para que isso aconteça em tão pouco tempo.”
É importante fazer uma avaliação completa dos custos logo no início, “geralmente dentro do primeiro mês de desenvolvimento, antes mesmo de misturar os ingredientes e fazer um lote de teste”, diz.
Isso é essencial para conseguir aprovação do projeto e manter o foco durante todo o processo, evitando desperdício de tempo e recursos. “Não é diferente de planejar a construção de uma nova fábrica ou uma atualização de planta. Você levanta todos os custos antecipadamente para conseguir aprovação, define a produção total esperada. Depois de tudo isso, ainda faz sentido, do ponto de vista de investimento, seguir adiante com esse projeto?”
Por que você precisa e como escolher um cofabricante?
Outro fator importante para definir expectativas está relacionado ao formato desejado do produto — seco, úmido, liofilizado, fresco, minimamente processado, etc. — e a quem será responsável por processá-lo. “Também consideramos isso logo no início, porque precisamos saber cedo se é possível levar esse produto para uma planta de produção real”, explicou Henry.
Segundo o especialista, é preciso considerar se a empresa escolhida para a cofabricação tem seu próprio equipamento e, se sim, se ele atende as estruturas e conceitos atuais ou será necessário adaptá-lo. “É importante saber isso para começar a construir esses relacionamentos. Nós já os temos, mas o cliente precisa desenvolver essa relação.”
Henry acrescentou que a escolha do cofabricante deve levar em conta não apenas aspectos técnicos, mas também afinidade cultural e operacional. “Analisamos a disponibilidade de ingredientes, o desempenho e também a estrutura de qualidade. Se são certificados pela BRC ou SQF, por exemplo, e como isso se alinha à visão do produto final.” BRC e SQF são padrões internacionais de qualidade frequentemente exigidos quando uma empresa deseja exportar seus alimentos para pets.
“Eu preciso buscar os cofabricantes que se encaixam nesse perfil. E o que sempre destacamos é que, quanto mais complexo for o produto, menor será o número de cofabricantes disponíveis e, normalmente, maior será o custo de produção”, completou.
Tudo volta às expectativas e viabilidade
Um ponto que não pode se perder entre as muitas etapas do desenvolvimento de um novo produto é a definição da lista de ingredientes (ingredient deck) e a garantia de que a empresa possa obtê-los na escala e frequência necessárias. Algo especialmente importante em períodos de instabilidade na cadeia de suprimentos.
“Isso faz parte das expectativas. Sempre voltamos a isso. Quando você chega à etapa 18, ainda precisa voltar e conferir novamente as expectativas e a viabilidade”, disse Henry. “Depois de definir a lista de ingredientes, verificamos novamente sua viabilidade. E isso deve estar alinhado não apenas à disponibilidade e à logística, mas também ao cofabricante. Ele tem alguma restrição ao uso de determinado ingrediente, independentemente da origem?”
Alterações significativas podem ampliar o prazo de desenvolvimento. “Cada mudança no caminho precisa ser reavaliada. O que mais atrasa o processo é quando recebemos solicitações de mudanças porque precisamos voltar e revisar todas as etapas anteriores que aquela mudança pode impactar”, acrescentou Henry.
Em resumo: siga o cronograma e não pule etapas
De acordo com o especialista, o principal é seguir o cronograma definido e não pular etapas. Isso inclui a embalagem. “O maior erro que vemos nossos clientes cometerem é começar pelo design da embalagem. Ou criar a embalagem cedo demais, antes de ter um produto pronto para colocar dentro dela.”
Segundo Henry, o grande desafio, especialmente com o alimento seco, é o enchimento da embalagem e o espaço interno. É preciso entender o papel que a densidade desempenha na textura, no cozimento e na palatabilidade, e como isso afeta o preenchimento da embalagem, garantindo durabilidade e integridade.
Se a embalagem já tiver sido desenhada, ou até mesmo impressa, podem surgir problemas. “Isso acaba obrigando o cliente a refazer tudo e gastar mais dinheiro, ou nos forçando a alterar o produto de uma forma que foge do conceito original que desenvolvemos”, concluiu Henry.


















