Como direcionar estratégias de premiumização em alimentos para pets

De alimentos frescos à personalização, as diferentes vertentes do segmento premium continuam em expansão.

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A alta de alimentos frescos é uma forma de expansão para o mercado de alimentos premium para pets à medida que tutores buscam otimizar os hábitos alimentares de seus animais.
A alta de alimentos frescos é uma forma de expansão para o mercado de alimentos premium para pets à medida que tutores buscam otimizar os hábitos alimentares de seus animais.
Andrea Gantz

A contínua ascensão do valor das vendas na indústria pet se deve, em grande parte, à conversão de tutores para produtos e serviços de maior preço, movimento conhecido como premiumização. Segundo o relatório US Pet Market Outlook, 2025–2026, da Packaged Facts, as vendas do setor totalizaram US$ 151,3 bilhões (R$ 845,2 bilhões em 2024, um aumento de 4% em relação a 2023.

Contudo, estratégias tradicionais para impulsionar produtos premium dependem fortemente da disposição de consumidores de maior poder aquisitivo para sustentar os gastos. Programas sólidos são diferenciais em um cenário de contenção, mesmo em lares de alta renda, observado desde a pandemia de Covid-19 e continuado pelo cenário macroeconômico atual

Alimentos frescos buscam ganhar espaço

O futuro da premiumização exigirá argumentos cada vez mais sólidos, e há diversas frentes promissoras para isso. De acordo com o relatório da Packaged Facts, a principal manifestação da tendência continua sendo o progresso do segmento de alimentos premium de alta qualidade, que registrou crescimento de dois dígitos em volume de unidades em 2024. 

Entre os destaques estão os alimentos frescos para pets (refrigerados ou congelados), considerados o ápice da categoria super premium, que apresenta crescimento acelerado em relação ao mercado de pet food como um todo. Para acompanhar essa tendência, redes varejistas, especialmente as especializadas em produtos pet, devem estruturar programas sólidos para comercialização de alimentos frescos, tanto em vendas presenciais quanto em e-commerce.

Essa tendência se conecta ao apelo dos alimentos "human grade" (grau de consumo humano), já que muitos tutores têm o hábito de oferecer aos pets alimentos que consomem em casa. Segundo pesquisa anterior da Packaged Facts, realizada em janeiro de 2025 com tutores dos Estados Unidos, 31% incluem regularmente alimentos humanos na dieta dos pets, número consistente entre as diferentes gerações. 

Além disso, 27% oferecem regularmente alimentos frescos e naturais que não são industrializados e 21% preparam com frequência refeições caseiras com ingredientes próprios para humanos. O levantamento indica que essa prática é mais comum entre a Geração Z (32%) e os Millennials (24%), em comparação com a Geração X ou os Boomers (17%).

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O domínio da ração seca e a percepção do consumidor

Esses dados revelam um certo descompasso entre a popularidade quase universal da ração seca e o crescente ceticismo dos consumidores em relação a alimentos processados, inclusive os destinados aos pets. Do ponto de vista das percepções nutricionais, mesmo que isso nem sempre se traduza em comportamento de compra.

As pesquisas da Packaged Facts indicam que entre dois terços e três quartos dos consumidores de pet food concordam (total ou parcialmente) que “alimentos para pets livres de ingredientes artificiais são mais saudáveis” e que “alimentos feitos com ingredientes integrais são mais benéficos para os pets.” Em contrapartida, metade concorda que “alimentos comuns para pets oferecem toda a nutrição necessária.” Ou seja, o mesmo conflito entre atitude e comportamento que se vê no consumo de alimentos processados para humanos.

Com isso, o sucesso dos alimentos frescos, nos quais as atitudes do consumidor estão mais alinhadas ao comportamento de compra, abriu espaço para que o segmento de ração seca evoluísse. 

Surgem então alternativas como rações de nova geração, baseadas em ciência e funcionalidade, alimentos com proteínas alternativas e versões “kibble plus” que incorporam ingredientes liofilizados e outros componentes premium. 

Produtos secos e úmidos com o selo “gentilmente cozidos”, indicando maior preservação dos nutrientes naturais, também têm ganhado espaço.

O papel da personalização na disputa de mercado

Assim como no setor de produtos de consumo humano, a personalização desponta como uma estratégia-chave para diferenciação e fidelização, além de ajudar o tutor a perceber o investimento como mais direcionado e justificável. Segundo a pesquisa da Packaged Facts com tutores realizada em janeiro de 2025, formulações personalizadas atraem cerca de 1 em cada 10 tutores de cães e gatos, e, assim como no caso dos alimentos frescos, esse número tende a crescer nos próximos anos.

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Programas de assinatura e recompensas, que beneficiam tanto consumidor quanto marcas, também contribuem para um ecossistema de personalização contínua, adaptado às necessidades e expectativas em constante evolução dos tutores de pets.

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