
A combinação de aloe vera, artemísia-doce e cúrcuma foi associada à mudanças benéficas na microbiota intestinal de cães. Uma pesquisa publicada na revista Veterinary Sciences demonstrou um aumento da abundância de bactérias envolvidas na produção de ácidos graxos de cadeia curta e uma redução de certos microrganismos oportunistas no intestino de cães.
Envolvendo pesquisadores da Biotech Tricopharming Research e da Sequentia Biotech, ambas em Barcelona, na Espanha, o trabalho avaliou os efeitos dos três ingredientes botânicos sobre os microbiomas intestinais de 18 cães saudáveis durante 30 dias.
O estudo incluiu nove cães que receberam diariamente a combinação de Aloe vera, Artemisia annua (artemísia-doce) e Curcuma longa (cúrcuma), enquanto outros nove, do grupo controle, receberam um placebo contendo celulose.
A formulação experimental continha 25 mg de aloe vera, 200 mg de artemísia-doce e 500 mg de cúrcuma por 10 kg de peso corporal, além de 50 mg de celulose microcristalina. Os ingredientes foram administrados em cápsulas.
Para a análise, os pesquisadores coletaram amostras fecais no início e no final do estudo e utilizaram sequenciamento metagenômico shotgun para identificar microrganismos e avaliar suas possíveis funções metabólicas.
Aumentam as bactérias associadas à produção de ácidos graxos
Após 30 dias, os cães que receberam o suplemento botânico apresentaram abundância significativamente maior de diversos táxons bacterianos associados à fermentação e à produção de ácidos graxos de cadeia curta.
Entre eles estavam as espécies Megasphaera elsdenii, Butyricimonas virosa, exemplares do gênero Blautia, espécies do gênero Bacteroides e Phascolarctobacterium succinatutens.
Todos microrganismos associados à produção ou ao metabolismo de ácidos graxos de cadeia curta, incluindo butirato, propionato e acetato. Esses compostos contribuem para o metabolismo energético intestinal, a função de barreira do intestino e a regulação imunológica.
O grupo suplementado também apresentou aumento da abundância de Amedibacterium intestinale e Alistipes onderdonkii, embora os pesquisadores tenham observado que as funções dessas bactérias na saúde intestinal dos cães ainda são pouco compreendidas.
Por outro lado, três grupos bacterianos associados ao desequilíbrio intestinal ou a infecções oportunistas apresentaram menor abundância nos cães suplementados:
- Enterocloster bolteae: anteriormente associada à disbiose intestinal em determinados contextos.
- Espécies do gênero Anaerobiospirillum: podem estar presentes no microbioma intestinal canino, mas também foram associadas a infecções oportunistas.
- Stenotrophomonas maltophilia: bactéria oportunista previamente identificada em cães com infecções do trato urinário e doenças respiratórias.
Os pesquisadores também observaram aumento da abundância de bacteriófagos semelhantes aos da família Myoviridae, vírus que infectam bactérias. No entanto, o estudo não determinou se esses vírus contribuíram para as alterações nas populações bacterianas.
Diversidade microbiana estável
Embora algumas populações bacterianas tenham apresentado diferenças entre os grupos, a suplementação não provocou alterações estatisticamente significativas na diversidade geral do microbioma intestinal, o que impede afirmar que a suplementação tenha aumentado a riqueza microbiana.
A mediana do número de espécies bacterianas observadas foi de 1.132 nos cães suplementados, ante 859 no grupo controle. O índice Chao1, que estima a riqueza de espécies considerando também aquelas que podem não ter sido detectadas nas amostras, seguiu a mesma tendência: 1.619 no grupo experimental, contra 1.281 no grupo controle.
Os resultados sugerem, portanto, que a combinação dos ingredientes botânicos pode estar associada a alterações em populações bacterianas específicas, sem modificar de forma ampla a comunidade microbiana intestinal. No entanto, ainda não é possível determinar se essas mudanças se traduzem em benefícios para a saúde digestiva dos cães.
Pesquisadores defendem estudos maiores
Os pesquisadores envolvidos no trabalho identificaram diversas limitações, incluindo o tamanho reduzido da amostra, as diferenças entre as dietas dos cães e a ausência de randomização formal.
Embora as amostras tenham sido coletadas antes e depois do tratamento, a principal análise estatística comparou os grupos experimental e controle no 30º dia, em vez de avaliar as mudanças em cada cão individualmente.
Como os três ingredientes botânicos foram administrados em conjunto, o estudo não pôde determinar a contribuição individual de cada um nem estabelecer se eles atuaram de forma sinérgica.
Os pesquisadores também não mediram as concentrações de ácidos graxos de cadeia curta nem avaliaram desfechos clínicos de saúde. Consequentemente, as diferenças microbianas observadas não permitem concluir que houve melhora na saúde digestiva.
A Biotech Tricopharming Research, empresa que emprega vários dos autores do estudo, desenvolve e comercializa produtos botânicos para a saúde animal, incluindo um produto que contém os três ingredientes avaliados. O coautor Luis Matías-Hernández é diretor-executivo da empresa (CEO). A pesquisa recebeu financiamento público espanhol para pesquisa científica.

















