
A alta nas cotações do milho está pressionando a inflação de alimentos no Brasil. O grão é uma das matérias-primas mais utilizadas na composição de rações para animais, chegando a representar 60% da composição do alimento de bovinos, suínos e aves. No setor pet, o impacto nos preços das proteínas animais também pode levar a aumentos no custo para os produtores e reajustes para o consumidor final.
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, em março a saca do milho de 60kg atingiu o maior valor nominal desde o início de 2022, quando os preços sofreram pressões pela guerra na Ucrânia. A saca do grão se aproximou dos R$ 90 na parcial de março em algumas áreas produtoras, sofrendo uma leve queda até o fechamento do mês.
Em abril, os preços demonstraram queda na maioria das regiões acompanhadas pelo Cepea. Ao fim da primeira semana de abril, o indicador do Cepea, baseado em Campinas (SP), registrou a cotação de R$ 84,63 a saca de 60 quilos, queda de 3,51% na comparação com a última semana de março. No entanto, no acumulado de 2025, a cotação do milho acumula alta de 23%.
A consultoria Datagro indica a alta do milho como um dos fatores considerados para uma inflação acima da meta em 2025 – 3% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos – o que irá impactar principalmente os preços dos alimentos. De acordo com a consultoria, o milho pode ser o responsável por uma alta de até 1,07 ponto percentual nos alimentos nos próximos 6 meses.
Preço do alimento para animais de estimação pode aumentar?
A tendência observada em anos anteriores sugere que o aumento no preço do milho pode pressionar os custos de produção de alimento para animais de estimação, segundo avaliação de José Edson Galvão de França, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) e membro do Conselho Consultivo do Instituto Pet Brasil.
Segundo o presidente, o milho exerce uma pressão moderada nos custos para a produção de alimentos para cães e gatos. “No Brasil, temos uma produção de arroz e soja considerável, o que permite que o milho seja substituído ou parcialmente substituído. É possível manobrar”. No entanto, o impacto do preço do grão na proteína animal também deve ser considerado. “Insumos como aves, bovinos e suínos também têm sofrido aumentos. Por isso, um reajuste para o consumidor final não está descartado”.
Preço do milho deve continuar em alta
Os analistas de mercado indicam que a tendência de alta nos preços do milho pode continuar nos próximos meses. Fatores climáticos e de demanda explicam a alta do grão e devem permanecer ao longo dos próximos meses.
Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a disponibilidade de milho no início da safra 2024/2025 foi de apenas 2,04 milhões de toneladas, um nível considerado crítico para atender ao consumo interno. O montante representa apenas 2,4% do consumo anual do Brasil, que é estimado em 86,97 milhões de toneladas. Com a oferta limitada, o mercado tem enfrentado dificuldades na recomposição dos estoques, o que tem levado à alta dos preços em diversas regiões do país.
Esse fator pode mudar nos próximos meses, a depender dos resultados da safrinha, a segunda safra do cereal, responsável por grande parte da produção nacional. Contudo, condições meteorológicas ainda podem comprometer os preços. Segundo a Conab, a incerteza em relação às chuvas e às temperaturas, mesmo que muitas regiões tenham recebido chuvas fartas no fim de março e começo de abril, influencia as decisões dos agricultores, que estão segurando as vendas e aguardando melhores condições de mercado.
Além disso, a demanda aquecida, motivada especialmente pelo uso do milho para a produção de etanol, também é um fator relevante para os preços.
Com relação ao setor pet, a evolução da safrinha e as condições climáticas serão decisivas para definir o comportamento do mercado e como os custos de produção de rações serão impactados.














