Estudo japonês revela por que os gatos não comem toda a ração

Pesquisadores da Universidade de Iwate descobriram que os gatos se habituam ao cheiro do alimento, o que reduz o interesse pela comida até que um novo aroma desperte o apetite

Colorful pet food kibble arranged in a white cat-shaped bowl on a blue textured surface

Um estudo japonês concluiu que os gatos podem parar de comer não porque estejam saciados, mas porque perdem o interesse pelo cheiro do mesmo alimento. A introdução de uma nova comida — ou até mesmo de um aroma diferente, sem alterar o alimento oferecido — pode estimular novamente o apetite, demonstrando o papel importante do olfato na quantidade ingerida pelos felinos.

  • Gatos reduzem progressivamente a ingestão quando comem o mesmo alimento repetidamente, mas aumentam o consumo com alimentos diferentes
  • A habituação olfativa—adaptação ao cheiro—explica por que felinos interrompem a alimentação, não a saciedade física
  • Mudar o aroma do alimento já restaura o apetite, mesmo sem alterar a comida oferecida
  • Pesquisadores estudaram 12 gatos domésticos em ciclos de alimentação com intervalos controlados
  • Descoberta pode ajudar tutores a estimular apetite em gatos doentes e prevenir obesidade em animais sedentários

Um novo estudo sobre padrões e motivações alimentares revelou que o cheiro dos alimentos influencia o comportamento alimentar dos felinos. De acordo com os pesquisadores da Universidade de Iwate, no Japão, isso explica a tendência natural dos gatos a comer pequenas porções em intervalos frequentes — um padrão que, até então, não tinha uma explicação completa. 

O comportamento de comer aos poucos, afastar-se do comedouro e voltar a ele mais tarde nem sempre indica saciedade física. Segundo o estudo, isso também pode decorrer da habituação olfativa ao cheiro do mesmo alimento.

O estudo, intitulado Habituação e desabituação olfativas regulam dinamicamente a motivação alimentar em gatos domésticos, foi publicado on-line em abril de 2026 na revista científica Physiology & Behavior (volume 311, artigo 115328). Os resultados indicam que um mecanismo relacionado ao olfato ajuda a explicar por que os gatos tendem a comer pequenas quantidades por vez.

Para demonstrar que a habituação ao cheiro dos alimentos contribui para a interrupção da alimentação e que a novidade sensorial pode restaurar a motivação para comer, os pesquisadores estudaram 12 gatos domésticos saudáveis, sem raça definida, com idades entre 3 e 15 anos. O grupo incluía seis machos não castrados e seis fêmeas não castradas.

Mantidos em gaiolas individuais, os animais passaram inicialmente por um período de 16 horas de jejum. Em seguida, foram submetidos a seis ciclos consecutivos de alimentação, cada um com duração de dez minutos e intervalos de dez minutos entre eles, sob diferentes condições experimentais. Foram utilizados seis tipos de ração seca comercial, adquiridos em lojas de produtos para animais no Japão.

Um novo aroma desperta novamente o apetite

Os pesquisadores observaram que a apresentação repetida do mesmo alimento provocou uma redução progressiva da quantidade ingerida. Em contrapartida, a oferta de seis alimentos diferentes atenuou significativamente essa queda e aumentou a ingestão acumulada. A introdução de um alimento diferente após várias refeições com o mesmo produto também restabeleceu o consumo, independentemente da palatabilidade do novo alimento.

O estudo demonstrou ainda que um efeito semelhante ocorria quando apenas o aroma de um alimento novo era apresentado aos gatos, por meio de um recipiente com dois compartimentos, sem qualquer alteração na comida oferecida. Já a exposição contínua ao mesmo cheiro entre os ciclos de alimentação reduziu a ingestão nas refeições seguintes.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que a habituação olfativa provocada pela apresentação repetida do mesmo alimento contribui para a interrupção da alimentação. Em contrapartida, a introdução de um novo alimento ou aroma provoca a desabituação olfativa, restaurando a ingestão alimentar dos gatos domésticos.

“Os resultados sugerem que o comportamento alimentar dos felinos reflete uma estratégia que equilibra a regulação interna de energia com influências sensoriais e ambientais externas, em vez de ser determinado apenas pelas necessidades metabólicas”, afirma o estudo. “Entre essas influências externas, os estímulos olfativos são particularmente importantes para os gatos, que dependem fortemente do olfato na seleção e avaliação dos alimentos.”

Os pesquisadores esperam que as descobertas ajudem tutores a utilizar estímulos olfativos para favorecer o apetite dos gatos durante períodos de doença e a limitar o consumo excessivo de alimentos em animais com tendência à obesidade.

Os autores do estudo são Takumi Takahashi, Shota Ichizawa, Sara Kikuchi, Nanami Hara, Reiko Uenoyama, Tamako Miyazaki e Masao Miyazaki.


 

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