Porque a economia global de pets deve ultrapassar US$ 500 bilhões até 2030

A Bloomberg Intelligence projeta um forte crescimento em categorias como alimentação e cuidados com pets. O crescimento se deve à evolução em hábitos de consumo, expansão do e-commerce e tendências duradouras de humanização dos animais de estimação.

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Um novo relatório da Bloomberg Intelligence observou que os animais estão sendo cada vez mais vistos como membros completos da família.
Um novo relatório da Bloomberg Intelligence observou que os animais estão sendo cada vez mais vistos como membros completos da família.
JacLou | Pixabay.com

A indústria global de animais de estimação deve crescer mais de 45% nos próximos cinco anos, ultrapassando US$ 500 bilhões até 2030. A constatação é do Relatório de Economia Pet 2025, lançado pela Bloomberg Intelligence, cujos resultados foram apresentados pela analista de pesquisa de ações da empresa, Diana Rosero-Pena, durante o Petfood Forum 2025, ocorrido em abril nos Estados Unidos. A analista destacou a demanda constante por alimentos para pets, mudanças no comportamento de consumo e a continuidade da liderança do mercado norte-americano no cenário global. 

“É esperado que os tutores de pets aumentem seus gastos em todas as categorias da indústria em comparação com o ano passado”, afirmou Rosero-Pena. Embora a inflação tenha elevado os preços, a pesquisa mostrou que os donos de animais continuam priorizando as necessidades de seus pets, especialmente em relação a alimentos, brinquedos e produtos de higiene.

No entanto, pressões econômicas têm impacto em algumas áreas. “Pressões financeiras parecem estar afetando as visitas ao veterinário”, observou ela, com cerca de 20% dos cães e 30% dos gatos deixando de fazer os check-ups anuais de bem-estar. Ainda assim, a saúde permanece como um dos motores mais promissores do setor no longo prazo.

O segmento de alimentação, especificamente, continua no centro da expansão da economia pet. A Bloomberg Intelligence estima que as vendas globais de ração crescerão 36%, atingindo US$ 145 bilhões até 2030, com os Estados Unidos correspondendo por US$ 68 bilhões (46,9%) desse total. No país, a alimentação premium para pets apresenta uma tendência de crescimento elevado (40%), podendo chegar a representar quase 60% do mercado americano até o final da década.

Setor pet: 2025 terá crescimento moderado

Rosero-Pena alertou que 2025 pode ser um ano de crescimento brando para o setor nos Estados Unidos. “Para 2025, esperamos que o país cresçam apenas 5%, comparado à faixa de 6%–7% registrada durante a pandemia”, disse. Os consumidores estão se tornando mais estratégicos com os gastos, o que tem impactado especialmente o segmento premium. “As pessoas estão migrando do premium para uma faixa de preço mais acessível”, afirmou.

Por ora, alimentos para pets da linha econômica podem crescer mais do que os premium, com 6% contra 5% em 2025, mas essa tendência não deve durar. “Até 2030, os produtos econômicos provavelmente crescerão apenas 36%”, disse Rosero-Pena, enquanto a participação do premium continuará aumentando.

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O papel do e-commerce 

O e-commerce também é uma força-chave na transformação do mercado. “A conveniência parece ser o principal impulsionador”, disse Rosero-Pena. “Trinta por cento dos entrevistados mencionaram o online como seu formato de compra preferido em comparação a 23% há apenas três anos.” As plataformas Amazon e Chewy continuam dominando, embora varejistas tradicionais como Walmart e Petco estejam ganhando espaço.

Globalmente, os Estados Unidos continuarão sendo o maior mercado, respondendo por cerca de 40% das vendas da indústria. A Europa deve manter aproximadamente um terço do mercado, enquanto a China pode crescer mais de 50%, atingindo US$ 49 bilhões, com a plataforma Alibaba mantendo sua liderança nas vendas online.

Apesar de alguns obstáculos de curto prazo, Rosero-Pena destacou um otimismo para o futuro. “A humanização dos pets e a integração dos animais de estimação na composição familiar é muito importante para isso”, disse ela. “Se voltarmos aos anos 1950 e 1960, se uma família tinha um cachorro, ele geralmente dormia do lado de fora. Hoje, dorme dentro, e provavelmente na sua cama.”

Rosero-Pena também observou que os gatos estão ganhando espaço. “Estamos vendo dados de consumo captados no varejo nos Estados Unidos que mostram que o crescimento das vendas de alimentos e petiscos para gatos está superando o de cães”, disse. “Parece que o sistema de distribuição para gatos está trabalhando em dobro”, brinca. 

Diana Rosero-Pena é analista de empresas, especializada em alimentos industrializados e varejo alimentar na América do Norte, trazendo um amplo conhecimento em sua atuação na Bloomberg Intelligence. Sua apresentação sobre o Relatório de Economia Pet 2025 ocorreu em 29 de abril, durante o Petfood Forum em Kansas City, Estados Unidos.

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