Estudo brasileiro identifica teores ideais de proteína, gordura, fibra e carboidratos para a perda de peso em cães

Cientistas da PUCPR identificaram semelhanças entre formulações dietéticas que promovem a perda de peso e preservam a massa magra.

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A base de uma dieta hipocalórica para cães é simples: o animal deve consumir menos calorias do que gasta por dia, mantendo a massa muscular magra. No entanto, os detalhes podem ser complexos e, muitas vezes, se misturam com as crenças dos próprios tutores sobre alimentação e nutrição. Agora, uma análise de mais de 20 estudos sobre dietas para perda de peso em cães encontrou quais são os pontos em comum em dietas hipocalóricas eficazes — ou seja, planos nutricionais que fornecem menos calorias do que o necessário para a manutenção do peso corporal. 

Realizada por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), a meta-análise de estudos publicados identificou padrões nos teores de proteína, gordura, fibra e carboidratos em rações que auxiliam o déficit calórico nos nossos companheiros caninos. 

“Essas descobertas oferecem insights valiosos para otimizar as formulações de dietas hipocalóricas, facilitando um processo de perda de peso eficaz e promotor de saúde em pacientes caninos”, escreveram os pesquisadores no artigo, publicado na revista Animals

A partir da meta-análise, os pesquisadores puderam construir recomendações nutricionais baseadas em evidências sobre os níveis ideais de calorias, proteínas, fibras, gorduras e carboidratos para formulações de dietas hipocalóricas que promovem a perda de peso saudável enquanto preservam a massa magra em cães obesos. “Esses achados contribuem para o desenvolvimento de estratégias dietéticas eficazes que melhoram a qualidade de vida e a longevidade dos cães”, alega o artigo. 

Qual a formulação ideal para a perda de peso em cães

Segundo o trabalho dos pesquisadores da PUC, as diretrizes ideias para formulações dietéticas que favorecem a perda de peso ao mesmo tempo em que preservam a massa muscular magra são:

Proteína (>25%): dietas ricas em proteína foram associadas a maior perda de peso e preservação da massa magra. Níveis elevados de proteína podem aumentar a saciedade e ajudar na manutenção da musculatura.

Fibra (>12%): o artigo identificou que uma ingestão elevada de fibras contribuiu para a perda de peso ao reduzir a densidade calórica da dieta e promover a saúde gastrointestinal. A fibra também influencia a saciedade, o que pode favorecer a adesão à dieta.

Gordura (<10%): níveis mais baixos de gordura nas formulações foram correlacionados com uma redução mais significativa da porcentagem de gordura corporal. A gordura é o macronutriente com maior densidade calórica.

Carboidratos (<40%): dietas com altos níveis de carboidratos não fibrosos foram associadas ao ganho de peso, enquanto níveis mais baixos favoreceram a perda de gordura e a melhora na composição corporal.

Densidade Calórica (<3,275 kcal/g): dietas com menor densidade energética promoveram maior redução da gordura corporal sem comprometer a massa magra.

“A composição das dietas comerciais para perda de peso em cães, utilizadas nos estudos analisados, é altamente variável, abrangendo uma ampla gama de teores calóricos e diferentes níveis de proteína, gordura e fibra — nutrientes fundamentais para uma redução de peso eficaz”, afiram os pesquisadores no artigo publicado. 

Atualmente, não existem diretrizes padronizadas para os níveis desses nutrientes. Mais trabalhos como esse podem dar melhores direcionamentos para fabricantes de pet food e promover o desenvolvimento de alimentos mais eficazes para a perda de peso saudável em cães. 

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