5 tendências que impulsionam o crescimento do pet food na Ásia

A premiumização está entre as principais tendências do mercado de pet food na Ásia-Pacífico. Mas preços altos demais pode afetar volumes e crescimento.

Cachorro Pet Food China

O mercado pet da Ásia-Pacífico deve fechar o ano de 2025 com US$ 30 bilhões (R$ 166,2 bilhões) em vendas, tornando-se a terceira maior região global do setor de animais de estimação, segundo a Euromonitor International. 

Embora isso represente apenas um terço do tamanho do mercado norte-americano, o maior do mundo, a Ásia-Pacífico é a região de crescimento mais rápido entre os mercados emergentes. O pet food responde pela maior fatia desse mercado, com US$ 20 bilhões (R$ 110,8 bilhões).

Os dados foram apresentados por Sahiba Puri, gerente global de insights em pet care da Euromonitor, durante o Petfood Forum Asia 2025, conferência realizada em Bangkok em outubro. Segundo ela, apesar da alta, a região está desacelerando, com projeção de manter um crescimento anual composto de 3% até 2030. 

Essa desaceleração é atribuída principalmente ao ritmo mais lento da China, de longe o maior mercado de pet care da região. Ainda assim, outros países, como Tailândia e Índia, continuam impulsionando o crescimento na Ásia-Pacífico. A Índia, em especial, apresenta uma oportunidade significativa, já que atualmente apenas 3% a 4% dos cães e gatos do país consomem alimentos industrializados para pets.

Outro fator que influencia o crescimento na Ásia-Pacífico é o nível de preços do pet food. No sudeste asiático, por exemplo, as marcas de baixo custo lideram as vendas e devem continuar crescendo até 2030. Os produtos premium também avançam, mas ainda a partir de uma base muito menor. Na China, as marcas de preço intermediário seguem dominando; já no Japão, onde o premium é mais disseminado, todos os segmentos continuam em retração, afirmou Puri.

Tendências que moldam o mercado de pet food: o limite da premiumização

Nesse contexto, Puri destacou as principais tendências que impulsionam o mercado de pet food na Ásia-Pacífico:

  • O “penhasco de volume”: o aumento de preços pesa fortemente sobre os volumes.
  • Avanço do premium: à medida que o papel dos pets evolui, os preços também sobem.
  • Foco em saúde: a era da gestão preventiva da saúde dos pets.
  • Dinâmica de canais: varejistas especializados e plataformas digitais assumem a liderança.
  • Integração de IA: viabilizando a gestão personalizada da saúde dos pets.

Puri detalhou essas tendências, com foco na premiumização. No segmento de pet food, a ração seca para cães — o maior, representando 49% do mercado — tem um crescimento anual de apenas 1%. Isso representa uma desaceleração, já que o crescimento foi de 3% em 2021, embora tenha se estabilizado após a queda de 2022. No caso da ração seca premium para gatos, o crescimento também diminuiu, passando de 14% em 2021 para 4% atualmente, seguindo uma trajetória mais lenta.

Embora a maioria dos tutores da região (68%) considere seus pets membros queridos da família — uma tendência observada em grande parte do mundo —, há um limite para quanto eles podem e estão dispostos a gastar com alimentação animal, observou Puri. Ela apresentou dados mostrando que, em vários países da Ásia-Pacífico, os tutores de pets são mais propensos do que os não tutores a afirmar que preferem comprar menos itens, porém de maior qualidade. “A premiumização tem um custo sobre o volume que pode ser movimentado a preços mais altos”, explicou.

Além disso, Puri citou exemplos de alimentos para pets classificados como “premium acessível”, afirmando que eles atendem a uma lacuna do mercado e ampliam o acesso para um maior número de tutores. 

Seus comentários e dados reforçam uma tendência observada globalmente: existe um limite para o quanto até mesmo os tutores mais abastados estão dispostos a pagar por pet food. “As marcas precisam estabelecer caminhos bem definidos para um posicionamento premium. Inovações voltadas à saúde dos pets oferecem rotas evidentes”, aconselha.

Varejo pet na Ásia-Pacífico: experiências únicas

Puri também abordou a dinâmica dos canais, destacando o crescimento contínuo do e-commerce. No entanto, ela ressalta que os varejistas físicos especializados em produtos para pets na Ásia-Pacífico “estão se mantendo fortes” ao oferecer engajamento e experiências que não podem ser replicadas online.

Um exemplo marcante citado foi o de um varejista pet em Singapura, o Heads Up for Tails, que oferece um amplo espaço de loja, um café com alimentação para humanos onde os pets são bem-vindos e uma área central com uma grande piscina onde pessoas e cães podem nadar juntos — inclusive com acesso conjunto à fisioterapia.

Se isso não é uma experiência única, é difícil imaginar o que seria!

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