Como prateleiras abarrotadas podem ser motores estratégicos de crescimento no varejo

Muitos portfólios de pet food na América Latina ainda são estruturados com base em preço, poder de negociação ou domínio de marca, e não em uma compreensão real do comprador

Varejo Pet Food Gestão De Categoria

O mercado de pet food na América Latina entra na fase em que as prateleiras parecem abundantes, mas a tensão competitiva por trás delas é mais aguda do que nunca. Do ponto de vista de gerenciamento de categorias em supermercados, estratégia de organização para impulsionar a performance de vendas, o desafio não é o número de marcas, e sim a estrutura por trás do sortimento.

Hoje, as gôndolas estão povoadas por produtos que comunicam benefícios semelhantes: nutrição, saúde, alimentação balanceada, saúde intestinal, etc… Quando a diferenciação desaparece, as categorias perdem sua capacidade de orientar o comprador. A prateleira deixa de atuar como um ativo estratégico e se torna uma zona neutra, onde o preço domina a conversa.

Estratégia de varejo para pet food: onde a diferenciação termina, começa a gestão de categoria

Essa saturação revela um problema mais profundo: muitos portfólios de pet food ainda são construídos em torno de preço, poder de negociação ou força da marca, e não em percepções reais sobre o comportamento do comprador

O especialista Yoan Montolio, da Yucca Retail, empresa especializada em Gestão de Categorias que atua no ensino e implementação de processos de varejo e cadeias de valor mais eficientes, aponta que um sortimento de produtos sem papéis definidos geram ruído em vez de navegação. O espaço é preenchido, mas não gerenciado. E espaço não gerenciado, segundo Montolio, leva à duplicação de SKUs (unidades de manutenção de estoque), uso ineficiente de metros, fluxo fraco e rentabilidade em queda.

As promoções intensificam esse desequilíbrio. Em muitas redes, os descontos se tornaram uma constante, e não uma alavanca estratégica. Isso condiciona o comprador a esperar, corrói a arquitetura de preços e distorce a demanda. Restaurar a ordem exige reforçar o valor do produto, atribuir espaço de forma deliberada, otimizar a produtividade de SKUs, desenhar uma escada coerente de preço e embalagem e usar promoções para acelerar o volume, não sustentá-lo.

Planograma não é só mapa, é estratégia

Os varejistas recorrem cada vez mais a dados para trazer estrutura à complexidade. As decisões de espaço agora se baseiam em rotação, contribuição de margem, elasticidade de preço e rentabilidade por metro linear. Relacionamentos ainda importam, mas desempenho estruturado importa mais. Como enfatiza Montolio, as marcas que crescem são aquelas alinhadas à arquitetura da categoria: as que conhecem seu papel, entendem seu comprador e contribuem para a cesta total.

Para o especialista, a próxima curva de crescimento não virá de mais espaço, mas de espaço melhor gerenciado. Nos próximos anos, a expansão da categoria não dependerá da adição de SKUs ou da negociação de mais frentes, mas da criação de valor: premiumização inteligente, benefícios funcionais, sustentabilidade, personalização e integração omnichannel. E-commerce e modelos de assinatura ajudarão, mas o verdadeiro ponto de inflexão virá de portfólios e planogramas desenhados em torno das missões do shopper e de uma execução consistente.

+ChatGPT recomenda ou contraindica sua marca? Veja como a IA está impactando o marketing do pet food

Clareza vence no varejo

Em uma categoria saturada e emocionalmente carregada, as marcas vencedoras serão aquelas que definem seu papel, comunicam valor distintivo e executam com disciplina. O gerenciamento de categorias deixou de ser uma função de apoio para se tornar a estrutura que orienta como a categoria de pet food vai crescer, competir e se manter relevante nos próximos anos.

Página 1 de 13
Próxima Página