
Em um mercado com centenas de marcas de pet food ativas em toda a América Latina, a concorrência atingiu um nível altíssimo. O preço ainda domina o campo de batalha, mas as marcas que sobrevivem são aquelas que trazem mais do que custo-benefício, apostam em significado.
Para aprofundar essa discussão, David Herrera, arquiteto de marcas e fundador da empresa mexicana BUDAS Business Data Science, que atua com ciência de dados mercadológicos, dividiu o que torna uma marca não apenas visível, mas inesquecível.
“As marcas que se destacam são as que permanecem na mente do cliente, vencem no ponto de venda e criam experiências únicas e inestimáveis”, afirmou Herrera.
Suas palavras traduzem uma verdade importante: na indústria pet food, a diferenciação começa com empatia, mas não deve terminar aí.
Da empatia à identidade em pet food
Compreender profundamente os tutores de pets é a base de toda marca forte. Dados de comportamento de compra reforçam constantemente essa percepção, revelando o que as palavras não conseguem expressar: o vínculo emocional que impulsiona as compras. Quando os números encontram a emoção, a verdadeira arquitetura da marca começa;
Herrera descreve o branding como arquitetura, não decoração. É a estrutura invisível que constrói confiança, significado e consistência. O processo, explica ele, começa ao identificar as necessidades não declaradas dos tutores e moldar uma personalidade de marca que aja, fale e se manifeste de forma coerente em todos os pontos de contato.
Quando narrativa e design se alinham às motivações reais, a marca se torna mais do que reconhecível, ela ganha vida.
Além das métricas: medindo o valor da marca com significado
Quando questionado sobre quais KPIs (indicadores-chave de desempenho) realmente mostram a saúde de uma marca, Herrera foi direto e contundente: valor de marca.
“Ele reúne tudo o que importa nos mercados latino-americanos — reconhecimento, preferência e lealdade — em uma métrica financeira clara”, explicou.
Em toda a região, muitas empresas ainda se concentram em vendas de curto prazo e guerras de preço, esquecendo que a emoção também precisa gerar resultados. Medir como uma marca agrega valor financeiro é o que permite que os players locais cresçam mais fortes e respeitados.
Com a expansão de marcas próprias e de baixo custo em supermercados e pet shops, Herrera acredita que as marcas consolidadas precisam defender seu espaço por meio de expertise, autenticidade e profundidade.
Propósito e humanização como motores do futuro
Olhando para o futuro, Herrera aponta duas forças fundamentais moldando o branding na América Latina: propósito e humanização. Os pets hoje fazem parte da identidade e da rotina das pessoas. As marcas que compreenderem essa realidade estarão na dianteira da indústria.
“Quanto mais artificial o mundo se torna, mais desejamos o que é humano”, acrescentou Herrera. Esse equilíbrio entre razão e emoção, dados e propósito, é o que mantém o branding vivo na região.

















