Mentalidade global do consumidor 2026: onde o pet food se encaixa?

Volatilidade econômica tornou-se uma condição quase permanente nos mercados globais; consumidores se adaptam, influenciando gastos e formas de avaliar a compra de produtos

Comportamento Consumidor Pet Food
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Longe de se sentirem mais confiantes em relação à economia ou às próprias finanças do que nos últimos anos, os consumidores passaram a encarar a instabilidade como o “novo normal”. É o que aponta uma pesquisa global de comportamento do consumidor realizada pela NielsenIQ (NIQ).

Entre as preocupações que afetam os gastos e as expectativas para 2026, o aumento dos preços dos alimentos apareceu como a principal, mencionada por 29% dos consumidores. Embora esse percentual tenha recuado 3,5% com relação aos 12 meses anteriores, o tema continua relevante e dificilmente desaparecerá no curto prazo.

Em segundo lugar estão os conflitos globais, com escalada de crises e guerras, citada por 23% dos respondentes. Esse percentual representa um aumento de 9,5% em relação ao ano anterior. Importante ressaltar que os dados foram coletados em julho de 2025 (vale observar que o relatório foi publicado originalmente em setembro, mas está sendo repercutido novamente agora), o que significa que algumas percepções dos consumidores podem já ter mudado: se a pesquisa fosse realizada hoje, a preocupação com os conflitos poderia ser ainda maior.

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Curiosamente, os países em que os consumidores se mostraram mais otimistas em relação à própria situação financeira em meados de 2025 não são considerados grandes mercados de pet food. Dos maiores mercados, o único que escapou do pessimismo foi a China, que apresentou um nível de otimismo de 18% nos dados da NIQ. 

O Brasil apesar de ser um dos maiores mercados de alimentos para pets do mundo, praticamente não registrou otimismo, com apenas 0,5%. Em outros países com indústrias robustas de pet food, como Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Alemanha, França e Japão, o nível de otimismo dos consumidores caiu entre 8,5% e 30%.

Gastos com cuidados para pets

Embora a inflação tenha arrefecido em diversas categorias de bens de consumo e em várias regiões e países, os preços continuam elevados. De acordo com a pesquisa, em junho de 2025, os consumidores pagavam, em média, 6% a mais por bens de consumo embalados (CPG, na sigla em inglês) do que em 2023. Diante das incertezas relacionadas a tarifas, disputas comerciais e conflitos geopolíticos, os preços tendem a permanecer altos ou instáveis.

Com relação à categoria de pet food dos CPG, o preço de alimentos para pets subiu apenas 0,5% em relação ao ano anterior, enquanto o volume cresceu 0,7%, indicando uma inflação mais baixa para a categoria em nível global.

Em contrapartida, outras categorias registraram aumento de preço mais expressivo, entre 2% e 5%, sem que o volume acompanhasse esse crescimento. Com isso, à medida que 2026 começa, os consumidores seguem priorizando gastos considerados essenciais ou “não negociáveis”, como moradia, serviços públicos, educação/creche e saúde. Outro item dessa lista é o amplo grupo de compras de supermercado e itens domésticos que, segundo a NIQ, inclui também os cuidados com pets.

Entre os consumidores entrevistados, a intenção era gastar 1% menos com cuidados para pets. Isso pode significar uma leve redução nos gastos com produtos e serviços para animais de estimação ou refletir a expectativa de que os preços de pet food e pet care continuem estáveis, como ocorreu ao longo de 2025.

Cada compra precisa justificar seu valor

Um aspecto central da visão dos consumidores para 2026 está relacionado às estratégias para economizar nos gastos com bens de consumo. Os dados da NIQ mostram uma queda na intenção de migrar para opções mais baratas, comprar com mais frequência em lojas de desconto ou adquirir apenas produtos em promoção. Embora até 31% dos consumidores ainda planejam adotar essas estratégias, esse percentual caiu entre 5% e 6% em comparação aos 12 meses anteriores.

Por outro lado, ganham força estratégias como avaliar e priorizar os atributos dos produtos que “realmente importam” ou optar por embalagens maiores para obter um melhor custo por unidade. “O consumo é intencional; cada compra precisa justificar seu lugar”, afirma o relatório da NIQ.

O estudo acrescenta que, em meio à crescente fadiga cognitiva, a simplicidade é crucial. Os consumidores buscam propostas de valor claras e coesas, que equilibrem preço, qualidade e valores, preferindo menos opções. Formatos simplificados, experiências fluidas (sem atrito) e propostas de valor combinadas (baseadas em combos) tendem a ser mais eficazes do que produtos com excesso de atributos complexos.

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