
A indústria de pet food enfrenta uma lacuna de conhecimento. E está envelhecendo rumo a uma crise. Emma Bermingham, fundadora e consultora-chefe da Ember Pet Nutrition, abordará diretamente essa questão durante sua palestra, em abril, no Petfood Forum 2026. A maior feira do segmento acontece entre os dias 27 e 29 de abril em Kansas, nos Estados Unidos.
Intitulada “Nutrition for senior pets: What do we really know?” (“Nutrição para pets idosos: o que realmente sabemos?”), a apresentação responde que, na verdade, é quase nada.“Sabemos muito pouco sobre a nutrição adequada para pets idosos. Isso é importante diante das vidas extremamente longas que nossos animais estão alcançando atualmente”, afirmou Bermingham.
Os gatos começam a apresentar alterações fisiológicas por volta dos 8 anos de idade, enquanto a trajetória de envelhecimento dos cães varia conforme o porte. Ainda assim, apesar de alguns pets estarem vivendo até os 30 anos, não existem diretrizes nutricionais específicas para animais idosos.
“Com base nas análises nutricionais publicadas de dietas para pets idosos, parece que as atuais ‘dietas sênior’ são puramente orientadas pelo marketing, em vez de formuladas especificamente para nossos animais idosos”, disse. Como indústria, Bermingham afirma que o dever é buscar fazer melhor para garantir, do ponto de vista nutricional, que os cães e gatos envelheçam de forma saudável e com qualidade.
As pesquisas disponíveis sobre nutrição para pets idosos são limitadas tanto em escopo quanto em atualidade. “Há surpreendentemente pouca informação sobre as necessidades nutricionais de pets idosos, e os dados existentes são relativamente antigos, nem sempre revisados por pares e baseados em técnicas de fabricação obsoletas”, afirmou Bermingham.
Pets idosos têm necessidades nutricionais específicas
Na palestra, Bermingham analisará condições associadas ao envelhecimento, como declínio cognitivo e redução da função imunológica, que demonstraram resposta a intervenções nutricionais em ambientes experimentais. Esses achados sugerem que animais idosos possuem exigências nutricionais específicas que as formulações atuais não foram projetadas para atender.
Olhando para o futuro, Bermingham vê o setor em um ponto de inflexão. Muitos nutrientes com potencial para apoiar a saúde de pets idosos, como os ácidos graxos ômega-3, já estão presentes nas dietas e são regulamentados, levantando duas questões centrais que, segundo ela, a indústria precisa enfrentar: se deveriam existir diretrizes nutricionais específicas para idosos (a resposta dela é sim) e quais dados são necessários para estabelecer níveis mínimos e máximos adequados.
Gerar esses dados, no entanto, representa um desafio prático. “Do ponto de vista de colônias de pesquisa, a maioria dos animais é aposentada quando chega por volta dos 10 anos”, observou, o que limita o controle experimental para estudar os pets mais velhos e vulneráveis.
Autodeclarada “a louca dos gatos” e com 20 anos de experiência ativa em pesquisa em nutrição pet, abrangendo ambientes governamentais e comerciais, Bermingham tem direcionado cada vez mais seu trabalho para a nutrição saudável de animais idosos. Seu desejo é que a indústria siga o mesmo caminho.
A sessão de Bermingham, “Nutrition for senior pets: What do we really know?”, ocorre na terça-feira, 28 de abril, durante o Petfood Forum 2026. Para se inscrever ou acompanhar as novidades do evento, acesse PetfoodForumEvents.com.


















