Pesquisa em nutrição felina: novo modelo aposta em envolvimento dos tutores de gatos

Diante da crescente popularidade felina, o envolvimento de tutores aparece como aposta para acelerar a pesquisa e o desenvolvimento de alimentos para gatos.

Darwin's Cat

A posse de gatos no mundo está crescendo exponencialmente, com os felinos tomando os lares mais rápido do que cães em diversos mercados. Nos Estados Unidos, maior mercado pet global, os gatos atingiram um recorde histórico, estando presentes em 49 milhões de lares em 2024, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. A tendência também é vista no Brasil, onde os felinos já somam 32,2 milhões.

Com isso, o desenvolvimento de produtos de alimentação para gatos está começando a acompanhar esse ritmo. Em uma enquete realizada em julho de 2025 com profissionais da indústria de pet food pelo site PetfoodIndustry.com, 45% afirmaram que suas empresas estão desenvolvendo ativamente novos alimentos ou petiscos para gatos. 

Por outro lado, 18% disseram considerar essa possibilidade, mas sem planos concretos, enquanto 36% relataram não ter planos no momento ou que pretendem apenas acompanhar tendências sem tomar ações.

O cenário pode ser considerado desafiador por alguns fatores. O primeiro é que os gatos ainda não são tão pesquisados nem tão bem compreendidos quanto os cães em termos de genética, necessidades nutricionais, saúde e comportamento. Uma iniciativa que busca preencher essa lacuna é o Darwin’s Cats, uma colaboração entre a Hill’s Pet Nutrition, o Broad Institute (instituto de pesquisa biomédica e genômica do MIT e Harvard), a Faculdade de Medicina da Universidade de Massachusetts e a Darwin’s Ark, uma plataforma de pesquisa baseada na participação da comunidade. 

Darwin’s Cat: ciência comunitária de larga escala

O Darwin’s Cats, segundo explicou Jennifer Radosevich, Ph.D., vice-presidente sênior de pesquisa e inovação da Hill’s, tem como objetivo enfrentar diversos desafios. Considerando que, historicamente, a pesquisa em saúde felina recebeu muito menos investimentos do que a voltada aos cães, o primeiro passo foi reconhecer que gatos não são cães pequenos. 

“Vinte anos atrás dizíamos que poderíamos entender o que está acontecendo com os cães e depois simplesmente aplicar essas tecnologias aos gatos. Evidentemente, esse tipo de pensamento estava equivocado, já que os gatos possuem genética, necessidades nutricionais e demandas de saúde próprias”, disse a pesquisadora em episódio recente do podcast Trending: Pet Food, apresentado pela editora da revista Petfood Industry, Lindsay Beaton.

Alguns fatores tornam a iniciativa única. Um deles é a plataforma que permite coletar informações diretamente dos tutores, o que Radosevich define como “um modelo inovador de ciência comunitária”. Nesse modelo, os tutores fornecem amostras de seus gatos para “coletar dados genéticos e comportamentais em larga escala” de uma forma amigável aos felinos. “Com a maioria dos cães, é possível fazer um swab na bochecha. Com gatos, nem tanto. Eles não ficam muito satisfeitos com um cotonete dentro da boca.” 

Para contornar isso, o Darwin’s Cats desenvolveu um pequeno pente: basta pentear o gato para coletar um pouco de pelo e enviar essa amostra.

Além disso, os dados gerados são de acesso aberto, uma diferença entre os gerados em pesquisas financiadas por empresas e tratados como proprietários,. “Trata-se de um esforço público de pesquisa comunitária, do qual a Hill’s é parceira, mas que ficará disponível para toda a indústria pet, permitindo gerar insights mais profundos sobre a saúde e o comportamento felinos e abrir caminho para melhores cuidados veterinários e soluções nutricionais mais direcionadas”, explicou Radosevich. 

Tutores de gatos interessados em participar do levantamento de dados — assim como empresas — podem acessar o site darwinsark.org e clicar em Darwin’s Cats.

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