
Fabricantes de pet food estão passando de um modelo baseado em volume para um crescimento orientado a valor. A movimentação acontece à medida que a evolução das expectativas dos consumidores transforma as operações em todo o setor. A constatação foi de Paul McKeithan, vice-presidente sênior de desenvolvimento de negócios da Reiser, durante o Petfood Forum 2026, em Kansas City, nos Estados Unidos.
Na sessão, McKeithan explicou que tendências como premiumização, saúde e funcionalidade estão acelerando a inovação, ao mesmo tempo em que criam novos desafios para a manufatura.“Estamos vendo a humanização impulsionar oportunidades de margem. Mas também há os aspectos de saúde e funcionalidade dos produtos, que estão direcionando a inovação”, disse.
Essa mudança está forçando os fabricantes a repensarem os sistemas tradicionais de produção de ração seca em larga escala, migrando para modelos mais flexíveis, capazes de lidar com lotes menores e uma maior variedade de SKUs.
“Se voltarmos à fabricação de ração seca, essas operações são padronizadas, com equipamentos grandes e alto volume”, afirmou McKeithan. No entanto, as tendências de mercado demandam mais SKUs, o que cria a necessidade de linhas mais flexíveis.
Da ciência dos grãos à ciência da carne
Um dos principais motores dessa transformação é a crescente ênfase em proteínas e ingredientes frescos ou minimamente processados. Segundo McKeithan, a indústria está migrando de formulações baseadas em grãos para produtos centrados em carne, impactando tanto a pesquisa e desenvolvimento quanto as operações industriais.
“Uma das maiores mudanças é a quantidade de carne, e de carne crua, entrando na indústria. Estamos vendo a conversa mudar da ciência dos grãos para a ciência da carne”, disse. Os fabricantes incluem na rotina perguntas sobre como obter a proteína ou quais são as melhores práticas para proteína crua, fresca ou congelada.
O manuseio de proteínas cruas e frescas introduz novas complexidades, incluindo separação de processos, controle de temperatura e higienização de equipamentos, destacou McKeithan. Para ele, os fabricantes precisam avaliar se as proteínas são processadas como pós, blocos congelados ou insumos frescos e como esses formatos impactam o fluxo produtivo.
Outros fatores em evolução
O crescimento de formatos alternativos, como produtos air-dried, freeze-dried e processados por alta pressão, também está influenciando o design das fábricas e a escolha de equipamentos, observou o especialista.
As embalagens também estão evoluindo em paralelo às mudanças nas formulações. McKeithan destacou a maior adoção de formatos comuns na alimentação humana, como bandejas, pouches e embalagens termoformadas, substituindo ou complementando os tradicionais sacos.
“É uma tentativa de capturar essa visão mais ‘humana’ do produto”, afirmou, acrescentando que a flexibilidade das embalagens é essencial para suportar trocas frequentes de produtos e diferentes formatos.
Conveniência e controle de porção também ganham relevância, especialmente nas categorias de alimentos frescos e congelados. Segundo McKeithan, fabricantes estão experimentando formatos como cilindros (chubs), hambúrgueres (patties) e porções tipo almôndega para facilitar o uso pelo consumidor.
“Como o consumidor manipula o seu produto? Esse ponto está se tornando muito crítico e também impacta o ambiente de manufatura”, provocou.
Essas mudanças estão impulsionando uma colaboração mais próxima entre as equipes de P&D e operações. McKeithan incentivou as empresas a envolverem a manufatura desde as etapas iniciais do desenvolvimento de produtos e a aproveitarem tecnologias já existentes na indústria de alimentos, em vez de criar sistemas totalmente novos.
“A boa notícia é que os equipamentos já existem. Não precisamos reinventar a roda, mas precisamos encontrar formas de adaptá-los ao setor de pet food”, concluiu.


















