
O mercado global de alimentos para pets deve praticamente dobrar de valor nos próximos dez anos, passando de US$ 132,4 bilhões (R$ 685,83 bilhões) em 2025 para US$ 247,7 bilhões (R$ 1,28 trilhão) até 2035, segundo novo relatório publicado pela Future Market Insights (FMI). A previsão é de avanço a uma taxa composta anual (CAGR) de 6,5% no período.
De acordo com a FMI, o crescimento é impulsionado por uma mudança contínua em direção à premiumização, à nutrição personalizada e a formulações desenvolvidas para fases específicas da vida, raças e necessidades de saúde. A demanda cresce para produtos voltados à saúde digestiva, ao cuidado das articulações e ao fortalecimento da função imunológica.
Ambiente regulatório
As regulamentações continuam a exercer forte influência sobre o desenvolvimento, a rotulagem e o acesso ao mercado de produtos para animais de estimação globalmente, segundo a FMI. Nos Estados Unidos, o Centro de Medicina Veterinária da Food and Drug Administration (FDA) garante a conformidade com as normas nutricionais e a aprovação de ingredientes. Na Europa, a conformidade é supervisionada pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), que exige avaliações rigorosas de segurança, e as diretrizes da Federação Europeia da Indústria de Alimentos para Animais de Estimação (FEDIAF) auxiliam na padronização das formulações. Já no Brasil, o Ministério da Agricultura e Pecuária é responsável por aplicar os padrões de segurança de ingredientes e de rotulagem.
Globalmente, os marcos regulatórios passam a enfatizar cada vez mais transparência na origem dos insumos, restrições a aditivos prejudiciais, boas práticas de fabricação e precisão nas informações de rotulagem e alegações de produto.
Desempenho por segmento
O segmento de ração seca (kibble/dry) liderou por tipo de produto, com 42,5% de participação de mercado em 2025. O resultado é sustentado pelo custo-benefício, pela compatibilidade com sistemas automatizados de alimentação e pela contínua inovação em sabores e coberturas, segundo a FMI.
Ingredientes de origem animal foram a principal categoria por fonte, com aproximadamente 22,7% de participação de mercado, impulsionados pela demanda por formulações ricas em proteína à base de frango, peixe, carne bovina, cordeiro e peru. As proteínas derivadas de peixe ganham destaque, especialmente pelos benefícios do ômega-3 associados à saúde da pele e da pelagem.
O segmento de alimentos para cães respondeu por 60% do mercado total em 2025, apoiado por maiores taxas de posse e gastos com petiscos premium e dietas direcionadas. Incluindo formulações para filhotes, adultos e idosos, além de produtos específicos por raça.
Alimentos convencionais mantiveram cerca de 70% de participação na categoria “essência”, impulsionados por preços mais acessíveis, ampla disponibilidade no varejo e consistência nutricional.
Proteínas derivadas de insetos, incluindo grilos, larvas de farinha e mosca-soldado-negra, representam um segmento emergente de fonte proteica, ao lado de opções de origem vegetal.
5 mercados com os maiores crescimentos
O Reino Unido aparece como o mercado nacional com crescimento mais acelerado, com CAGR projetado de 6,8% entre 2025 e 2035, impulsionado pela premiumização, pelo e-commerce direto ao consumidor e pela demanda por formulações específicas por raça.
A França vem em seguida, com 6,6%, sustentada pela forte adoção de petiscos funcionais voltados à mobilidade e à digestão. A Alemanha deve registrar 6,4%, apoiada pela demanda por formulações monoproteicas, hipoalergênicas e orgânicas.
Os Estados Unidos devem crescer 6,2%, com elevados gastos em produtos voltados à saúde dental e ao cuidado das articulações. Já o Japão deve avançar 6,1%, impulsionado por formatos nutricionais direcionados a cães de pequeno porte e por idade.
Tendências e desafios para os próximos 10 anos
O relatório aponta diversas tendências que devem moldar a próxima década. Entre eles, a integração de embalagens inteligentes para ampliar transparência e rastreabilidade, a adoção de perfis genéticos para apoiar a nutrição personalizada e o uso crescente de ingredientes funcionais, como probióticos, ácidos graxos ômega-3 e antioxidantes.
Entre os principais desafios estão os altos custos de produção de formulações premium e especializadas, as diferenças regionais em padrões de segurança e consequente complexidade regulatória, e as preocupações com sustentabilidade relacionadas ao fornecimento de proteínas de origem animal.
Ambiente competitivo
Segundo a FMI, o mercado global de pet food permanece moderadamente concentrado. Entre as principais empresas estão Mars Petcare, Nestlé Purina PetCare, Hill’s Pet Nutrition, Blue Buffalo (da General Mills) e Cargill.
A consultoria observa que esses fabricantes vêm ampliando investimentos em pesquisa e desenvolvimento voltados à nutrição personalizada, ingredientes funcionais e alternativas proteicas sustentáveis, incluindo proteínas à base de insetos e vegetais, à medida que os segmentos premium e natural continuam a se expandir.

















