
De marcas básicas de vearejo e veterinárias para um mercado sofisticado, moldado pela humanização dos pets, prioridades de sustentabilidade e pela evolução das tecnologias de processamento. Essa é a avaliação da trajetória do mercado de animais de estimação nas últimas décadas feitas por três veteranos da indústria.
No último episódio do podcast Trending: Pet Food Podcast, um programa internacional voltado a profissionais da indústria de alimentos para pets produzido pela revista Petfood Industry, a apresentadora Lindsay Beaton recebeu três especialistas de diferentes áreas de atuação para refletir sobre décadas de transformação da indústria e debater os desafios que estão por vir.
O episódio, que marca a edição número 100 do podcast, recebeu o expert em nutrição animal Greg Aldrich, diretor de operações da Nulo Pet Food; Marcel Blok, fundador da Change Stranamics que acumula mais de 40 anos de experiência na indústria; e Gail Kuhlman, pesquisadora em nutrição pet e proprietária da GXK Consulting.
O painel também discutiu preocupações urgentes, como a escassez de matérias-primas, lacunas na formação e desenvolvimento de mão de obra, desafios de acessibilidade de preços e a necessidade de maior apoio acadêmico. Ao mesmo tempo, explorou oportunidades ligadas ao processamento mínimo, à nutrição personalizada e a práticas industriais mais sustentáveis.
A seguir, reunimos os 10 principais aprendizados da conversa:
1. A transformação do pet food impulsionada pela humanização
A indústria evoluiu de forma significativa, passando de pets vistos como animais de trabalho para membros da família. “A grande mudança que observei, do meio dos anos 1980 até entrar definitivamente na indústria de pet food nos anos 1990, foi a transformação da relação dos pets com suas famílias. Eles saíram do quintal e do estábulo para dentro de casa e, em alguns casos, passaram a compartilhar outros espaços, como a cama. Tornaram-se filhos substitutos”, afirmou Greg Aldrich.
2. Processamento mínimo: o maior avanço tecnológico
Embora melhorias na extrusão continuem ocorrendo, a inovação em produção de pet food mais relevante dos últimos anos está na preservação de nutrientes. “O processamento mínino é um dos maiores avanços tecnológicos recentes”, explicou Aldrich. “A ideia é reduzir tempo, temperatura e cisalhamento aplicados ao alimento, preservando o máximo possível dos nutrientes. Tem sido o Santo Graal.”
3. A ciência da nutrição impulsiona toda a inovação tecnológica
Gail Kuhlman destacou que a curiosidade científica em torno da nutrição é a base do progresso do setor. “Como nutricionista, acredito que toda a tecnologia e inovação vistas nos últimos 30 ou 40 anos derivam do nosso interesse em compreender a melhor nutrição e aplicar essa ciência aos produtos”, disse, lembrando que a expectativa de vida de cães de grande porte praticamente dobrou — de cinco a sete anos para cerca de 15 anos — graças à melhoria nutricional.
4. A sustentabilidade definirá o futuro dos processos produtivos
Marcel Blok alertou que as preocupações ambientais irão, cada vez mais, limitar as opções industriais. “A maior mudança que estamos vivendo não está apenas no processo ou na nutrição, mas na conscientização sobre sustentabilidade. Ela certamente definirá o que poderemos fazer no futuro e quais processos poderemos utilizar”, afirmou.
5. Setor segue tradicional e lento para mudanças disruptivas
Apesar das inovações, a indústria ainda privilegia melhorias incrementais. “Descrevo o setor como tradicional e conservador. Há mudanças, mas elas são lentas. Nada é realmente revolucionário, pelo menos do meu ponto de vista”, disse Blok. “A pergunta que fazemos não é ‘podemos fazer diferente?’, mas sim ‘podemos fazer melhor?’.”
6. Novas gerações e diversidade aceleram a adaptação
Novas perspectivas têm papel fundamental na evolução do setor. “Muitos dos recém-chegados estão ajudando a conduzir essas mudanças, sejam novos profissionais entrando nas empresas ou companhias adquiridas por outros grupos”, observou Kuhlman. Segundo ela, as empresas passaram a reconhecer que “a diversidade de pensamento à mesa é o que realmente impulsiona a mudança”.
7. Indústria investe pouco em pesquisa acadêmica e formação
Aldrich destacou a falta de apoio estruturado à educação. “As empresas de pet food, em geral, não têm apoiado esse tipo de formação. Existem exceções, claro, companhias que investem na formação da próxima geração de inovadores e líderes. Mas, no geral, o setor se beneficia de profissionais formados graças ao apoio da indústria parceira e da pesquisa acadêmica”, afirmou.
8. Acessibilidade de preços segue como desafio central
Kuhlman ressaltou que produtos mais avançados precisam continuar acessíveis. “Tecnologias novas, produtos menos processados, liofilizados, frescos e humanizados trazem custos elevados. Como garantir que o consumidor ainda consiga pagar por esses produtos após atendermos a todas essas expectativas?”, questionou.
9. Escassez de ingredientes ameaça a cadeia de suprimentos
A disponibilidade de matérias-primas de qualidade surge como um desafio crescente. “Estamos lidando com escassez de ingredientes de qualidade. Em alguns casos, isso está ligado à sazonalidade, como peixes ou produção de peru; em outros, a doenças”, explicou Aldrich, ressaltando a necessidade de adaptação sem comprometer a qualidade.
10. Nutrição personalizada e proteínas alternativas moldam o futuro
Kuhlman prevê maior foco em dietas individualizadas. “Está cada vez mais interessante olhar para cada cão ou gato como um indivíduo que precisa de uma receita própria”, afirmou. Ela também destacou o avanço das pesquisas em proteínas alternativas, cultivadas em laboratório ou à base de insetos, como resposta aos desafios de sustentabilidade e disponibilidade de insumos.
Para saber mais, ouça o episódio completo do Trending: Pet Food Podcast.


















